16 de Novembro de 2009

Na nossa vida há alturas em que sentimos que perdemos um pedaço de nós. Sentimo-nos um puzzle e sem contarmos, sem qualquer aviso, sentimos que perdemos uma peça; sentimos aquele vazio. Quando acabamos um namoro, quando temos uma grande discussão com um amigo, quando mudamos de vida, quando vamos para um sítio novo, quando… A partir daí o tempo custa a passar, e pensamos que nos encontramos no corpo de uma nova existência.

 

No outro dia, vi um anúncio. Nesse dia vi o novo anúncio da Leopoldina: cortaram-lhe as asas. Resumidamente, nesse momento senti que perdi uma peça do meu puzzle. Senti angústia dentro de mim, frustração, o desvanecimento de todos os Natais em que via a Leopoldina a voar… com asas. Não sei se isto foi um ataque pessoal à minha pessoa, por ter falado mal da Popota, se foi um acto de vingança, ou se foi uma tentativa de me fazer sofrer. Ao ver aquela criatura frágil desmembrada, custou-me. Mas digo-o, tal como num processo de luto, passei pelas 5 fases: ao princípio neguei, não quis acreditar; senti-me revoltado com a situação e decidi regatear mentalmente; senti-me em baixo, como na

depressão, mas agora estou na aceitação.

 

Eu estou na aceitação e vivo com isso. Vivo, porque afinal não é assim tão mau como isso. Dei por mim a olhar para a minha estimada Leo, e vejo nela uma certa dose de masculinidade. Aquele colete preto à Ethan da Missão Impossível, e aquelas calças à Indiana Jones que ela usa, dão-me a certeza que desta vez, após tantos anos ela vai conseguir salvar o Natal sem se magoar. É que, ao longo destes anos eu olhava para ela e temia por ela: aquele olhar frágil e meigo, com aquele corpo de avestruz, apertava-me o coração do medo que eu tinha que ela se pudesse magoar; que alguém lhe fizesse mal, tipo aquele cão, o Mauzão (dormia descansado quando o ouço foi roubado, mas o Mauzão acordou e o gato apanhou!).

 

Vivi este trauma, senti este medo como uma Mãe até aos meus 20 anos. Mas agora, com 20 e poucos anos, finalmente posso dizer que aquele ar de masculinidade que finalmente lhe impingiram faz-lhe bem. Por isso digo: se o corte das asas foi uma tentativa das altas patentes das cadeias de supermercados para me magoar por causa da Popota, eu digo: muito obrigado. Finalmente, posso dormir as minhas noites de Dezembro em paz, sabendo que a Leopoldina anda por aí e não se vai magoar.

 

 

p.s. eu bem podia fazer um post sobre o facto de a Leo não ter asas e a missão deste ano se chamar “Missão das Asas”, mas a ironia é demasiado óbvia.

Escrito por Kai às 17:17

12 de Novembro de 2009

Apesar de só ter aulas à noite, e apesar de estar sem emprego, a verdade é que me levanto às 7 da manhã para ir ao ginásio. Não sou pessoa de dormir até tarde, mas gosto de ir cedo, porque é mais calmo. Posso andar por lá mais descontraído, sem ter de me meter na fila para alguma máquina; posso olhar de relance para o espelho no momento em que acaba um exercício, porque, como fiz força, a minha cara está vermelha e então, por um segundo, há uma parte de mim que acredita que sou moreno. Por outro lado, como é cedo, as pessoas podem-se admirar por ver alguém lá a essa hora. Esquecem-se que pode haver lá alguém.

 

Fiz os meus exercícios, vi a cara vermelha, preparei-me para tomar banho, levei o meu champô anti-quebra de cabelo com 90% de eficácia provada, faço o que tenho a fazer, e começo a secar-me. Aqui começa a história.

 

Há uma parte do ginásio que vai para obras. Então estavam lá uns senhores a ver o que tinham de fazer, foram todos para a parte interior onde acontecem as outras actividades. Acontece que se esqueceram, não só os senhores como quem trabalha lá: esqueceram-se que eu estava lá e a tomar banho e ao andar de um lado para o outro, abriram as portas todas, e abertas elas ficaram! Eu estava a secar-me, e como a água não estava a correr, ninguém me ouviu. Ali estava eu, não digo como o Adão com a folha no cujo, eu tinha uma toalha até aos joelhos e os meus chinelos de praia, mas caramba, sou tímido.

 

Pessoalmente, e sou homem, penso que me sinto confortável com o meu corpo, e andar por aí a desfilar nu à frente de pessoas suadas até nem me parece mal. Mas eu sou muito hormonal, o acne deve vir de algum sítio: são células todas excitadas a colidir umas com as outras no meio do meu nariz e que após tantos cremes continuam sem se irem embora. Lá me tapei no chuveiro onde estava, espreitei pela parede e vi a porta de acesso à sala das máquinas (a parte do ginásio em si), aberta. Em bicos de pés, e com as minhas pernas de meter dó à unidade métrica chamada milímetro, dirigi-me até essa porta. Parei para ver se ouvia alguém, e olhei para o outro lado, onde vi a porta da recepção também aberta. “Ó que carago pensei eu. Como é quem vou passar?”

 

Dessa porta, dá para ver a entrada, e no momento em que tinha ganho coragem, vem uma pessoa a chegar. Obviamente que fugi para o chuveiro, mas penso que quem entrou viu de relance o brilho do meu mamilo direito. Esse sim, já não mete tanto dó. A minha solução foi encostar-me a um canto porque já estava seco, e abrir o chuveiro. Mas houve alguma alma que ouvisse a água a correr? Não! Então lá dei um tempo, para quem tinha chegado há 5 minutos lá fosse para onde ia, saí do chuveiro e mais uma vez em bicos de pés, fui até junto à porta da sala das máquinas. Parei, escutei, tapei-me… fechei essa porta, pus o peito para fora, jeito de andar com estilo, passei pela porta aberta da recepção plenamente confortável com a minha nudez parcial e finalmente, cheguei ao meu saco e consegui vestir-me.

 

Pessoalmente, e realmente, sou hormonal. Há dias em que me sinto grávido e inchado, outros em que sou um ser selvagem. O que me incomoda nesta história, e chamando um pouco o meu eu egocêntrico, é que se tenham esquecido de mim. Não por eu estar lá, mas por ter ido tomar banho. Digo-o aqui publicamente, havia uma parte de mim que pensava – ou melhor – acreditava, que quando eu ia tomar banho, o ginásio ficava num frenesim, porque tinham curiosidade de espreitar a minha nudez. Não houve ninguém, nem com á agua a correr. Foram todos à vidinha deles, e eu ali, parcialmente nu e ninguém quis saber. É triste que, quando tenho 20+1 anos e o ginásio não entra em delírio com a minha nudez. É triste.

 

 

Escrito por Kai às 13:32

10 de Novembro de 2009

 

Parece que o mano Sapo e a sua equipa, puseram-me em Destaque. Para tal, alguém deve ter lido alguma coisa daqui do blog e ter dito: isto merece um destaque. Pois bem, dessa leitura deve ter resultado a seguinte conclusão: é um rapaz jovem, a tirar a sua 2ª licenciatura porque nunca praticou desporto e, portanto, não tem nada para fazer no tempo livre, desempregado, obcecado pelo peito, diz ter um rabo à Shakira, mas sobretudo bom moço. E carente.

 

Eu sou um pouco carente, e por isso sapo, se não fosse pedir muito eu queria aproveitar este destaque para algo mais. Algo grandioso.

 

Há uns dias, ajudaste o outro senhor, o Luís Pinguim a ir à Antárctica, e teve muito bons resultados a votação. Portanto, aproveitando o magnífico cartaz que a Kari me criou, publicando-o aqui mais uma vez, será que me podes ajudar a encontrar uma namorada? Não sei se é pedir muito, mas se não for, farias aqui este rapaz feliz. A ele e ao seu furador.

 

 

 

p.s.1.  de momento não publico nenhuma foto, por ter medo de represálias; para além da carência, sou sensível e tenho medo do confronto físico. Afinal, o que conta é o que está por dentro, certo?

 

p.s.2. o número do telefone apesar de ter 9 dígitos (és louca Kari), não é verdadeiro. Pelo menos eu não conheço ninguém com esse número. Por isso, por favor que ninguém ligue para esse número, porque senão ainda sobra para mim!

Escrito por Kai às 14:22

 

Pela minha experiência de 20+1 anos, penso que basta apenas uma coisa, uma pessoa, para nos fazer quase que imensamente felizes. Pudemos ter várias coisas que nos agradam e nos fazem sentir bem, mas há uma que vale por essas todas. Pode ser mais pequena, de outra cor, ter um penteado mais simples, ou umas unhas bem tratadas. O factor x.

 

Hoje dei por mim a pensar. Estava eu concentrado naquilo que estava a fazer, quando olhei para ele e disse mentalmente: “Ó pá, fazes-me feliz.” Não me tinha apercebido, mas no momento em que estou com ele, o mundo parece-me outra coisa. É como se estivesse a flutuar, nada de problemas; apenas eu e ele na nossa vidinha, e ninguém tem nada a ver com isso. Não sei se é por ele fazer o que faz, se é por ser uma novidade, ou se é por ser bem jeitoso. Gosto dele e ele faz-me feliz. A sério, nunca pensei que o furador me fizesse sentir isto.

 

Eu já lhe dediquei 2 posts – três com este – mas nunca me passou pela cabeça que descobrir que existem furadores com réguas para furar direito, me fizesse sentir desta maneira. Realmente, eu tinha um trauma! Tinha vergonha que as pessoas olhassem para as minhas folhas mal furadas, e gozassem comigo. No fundo, eu sou um reprimido. Eu luto por ter um cabelo pantene sem nunca ter usado o próprio pantene, falo imensamente do meu peito, e é o peito da Popota que me incomoda. Com tanta gente por aí, dou por mim a encontrar felicidade num furador. Talvez eu não seja muito normal, apesar de já não ter problemas com as unhas dos dedos grandes do pé há já 3 meses (ó ié!), mas a verdade é esta: encontro felicidade momentânea no meu furador; ele fura as minhas folhas, mas preenche o meu vazio (que bonito, não?).

 

 

Olha ele! Coisa boa!

 

Escrito por Kai às 14:13

08 de Novembro de 2009

Decidi fazer uma pause no trabalho. É algo que me está a pesar e a razão é esta: quando me sento a estudar, seja à frente de uma secretária ou do computador, o meu corpo descontrai-se e o peso do corpo, que oscila entre os 70 e 72 kg dependendo se é um dia ímpar ou par, cai-me todo sobre o meu rabo. O problema é que estes dias usei por várias vezes as calças violentas. Resultado: tenho uma nódoa, interna e externa na minha nádega que me torna de todo impossível não só estar sentado, de pé, ou até mesmo respirar de tanto que me dói. Não será preciso dizer que a cor roxa da minha nádega é tão dolorosa e desgastante ao meu físico que, sem dúvida, esta não seria a minha altura para posar para nus masculinos.

 

Mas a verdade é que não fiz esta pausa para falar do meu rabo, mas sim do rabo e outros atributos de outro ser. Este ser perturba-me e está na origem de dois problemas meus. Este ser é um hipopótamo, versão fêmea, categoria cor-de-rosa, e chama-se Popota.

 

A primeira questão diz respeito à minha infância. Lembro-me de andar de robe, estar confortável, sonhar com brinquedos e depois ligava a televisão e vibrava quando via a Leopoldina. Cresci, e passei os Natais a desfolhar o catálogo da Leopoldina; andava eu ainda no 12º ano e continuava a levá-lo na minha mochila para o ver no intervalo. Ela era a tradução da imagem que uma pessoa tem de uma criança: inocente, com vontade de brincar, um mundo de sonhos e concretizações. Eis que aparece a outra: aquele animal selvagem ambulante com brinquedos todos kitados e músicas do Top nos seus anúncios. Tirou o protagonismo à minha Leo, arruinou a minha nostalgia. Agora penso na Leopoldina como uma criança que descobriu que este é um mundo de concorrência desleal. Como se não chegasse, este ano, inícios de Novembro ela já por aí anda pela tv, o que me leva ao meu segundo problema com aquele pão-de-ló cor-de-rosa.

 

No novo anúncio ela aparece a cantar o wegué wegué. Se é para atrair os miúdos parece-me bem, já que os miúdos de 9 e 10 anos têm essa música como toque no telemóvel. O porquê dos miúdos de 9 e 10 anos já terem telemóveis e nem sequer é Natal, não faço a mínima. A questão é que ela dança ao som da música, um conjunto de coreografias (e com vestimenta a acompanhar) de várias culturas. Ou das duas uma: ou eu sou alguém muito perverso, ou então a tecnologia usada na criação do anúncio é a mais recente obra de criação tridimensional; é de mim ou a Popota anda a tomar hormonas de crescimento? É de mim ou as mamocas dela parecem dois xilofones a saltar à macaca?! Quer-se dizer, não é preciso ler mais de 3 posts aqui para se perceber que eu tenho uma fixação por peitos. Não tenho culpa, eu gosto da sensação do toque e forças da gravidade, mas aquela hipo abana-se de uma forma (e com um decote), que acho deveras escandaloso! O máximo que a Leopoldina fazia era abanar penas, mas acho que a Popota anda a abusar da sua estrutura óssea.

 

Sim, talvez eu seja um rapaz um pouco ou quanto perturbado, mas em relação à questão do rabo, eu só lanço estas palavras-chave: última coreografia do anúncio, na parte em que ela se vira de costas, abaixo da cintura. Mais não digo, é só uma questão de estar atento abaixo da cintura, e vou desta forma escandalizado continuar nos meus trabalhos. Já não bastava o fiasco do anúncio do Pingo Doce e agora querem arruinar a inocência do Natal. Jamais!

 

 

p.s. Belmiro, por favor eu estou desempregado, não me processes por difamação. Eu apenas adoro a Leopoldina. E peitos.

 

Escrito por Kai às 15:03

01 de Novembro de 2009


 

 

O objectivo do meu post anterior era poder partilhar a minha dor pela perda de um perfume inteiro sobre a coberta da cama. Ao invés disso, a julgar pelos comentários, tornou-se num daqueles anúncios de jornal “homem procura mulher, para amizade ou algo mais.” Com um simples post fiquei de casamento marcado com a Artemisa, e – desculpa Artemisa – também arranjei uma amante, a Kari. Tenho de revelar o acto da Kari que excedeu as surpresas da Oprah; ela própria deu-se ao trabalho de criar um anúncio personalizado sobre a minha pessoa. Publico-o aqui para que todos o possam ver, e até aconselho que o espalhem por esse mundo fora.

 

 

Já me tinha esquecido de como vir ao blog me fazia bem; me fazia sentir mais bem-disposto. Não foi uma semana boa. Entre coisas que aconteceram e outras que deviam ter acontecido e nem sinal, foi uma semana onde me senti no meio de algum nevoeiro. Perdido e algumas nuvens escuras à mistura. Aos poucos as coisas mudam, de repente muito muda. Decididamente escolhi tirar outro curso na pior altura; dou por mim a correr durante o dia de um lado para o outro para estudar e fazer os trabalhos, ir a noite estudar, e depois chegar das aulas e ir estudar mais uma vez antes de ir dormir. Não ando viciado em estudar nem me considero um marrão, mas simplesmente não tenho conseguido acompanhar o tempo. Ando cansado e vejo que ando num círculo (que eu crio). Não era suposto as coisas serem assim. Como diz a Dra. Bailey: “tenho de me deixar de me sentir assim, de me preocupar tanto; não posso gastar o sentimento.”

 

 

Mas enfim, o blog pode esperar, e os exames e trabalhos não. É nisso que me vou concentrar, tudo o resto que venha por acréscimo, que isto vai andar mais parado este mês.

 

 

Escrito por Kai às 09:00

23 de Outubro de 2009

Não pretendo de forma alguma que este título seja uma desculpa da minha parte para seduzir ou atrair ao blog raparigas na casa dos 20 com alguma disponibilidade para me ouvir, atender às minhas preocupações, soluçarem com o que escrevo, dizer bem de mim, ou simplesmente (e que bonita que a frase vai terminar), estarem disponíveis para me amar. (Eu disse). Não, o que pretendi foi dar um título que faça uma tradução justa ao conteúdo que se segue.

 

Ontem fiz a minha boa acção do dia logo pelas dez da manhã. Vi um pouco do Dr. Phill, somente porque gosto de o ouvir dizer as pessoas: “Esta relação precisa de um herói. Seja o herói na sua vida”. Após isso, eram 10 da manhã quando fui buscar as ferramentas: dois panos para o pó, um espanador, o álbum da minha amada Kelly, e a capacidade para ajustar as calças que estavam sempre a cair ao meu cú à Shakira. Pois é, fui limpar o pó a casa. Não, esta também não é uma frase para atrair raparigas na casa dos 20 disponíveis para me… mimar, tratar e dizer que sou o mundo. Ou seja, basicamente, andei a limpar os restos mortais da semana, e passo a explicar aos mais desprovidos de informação o significado desta expressão. Sim, porque este blog não é apenas descrições de diarreia, diário de grilos, vizinhas aos berros e a minha veia egocêntrica: é também uma fonte de informação cuidada e actualizada. Parte do pó que existe em nossa casa, aqueles fiozinhos que vemos a voar, é bocados da nossa pele. A pele velha, as células mortas, vão para o ar constantemente, e ao final da semana é isso que as pessoas limpam: restos mortais, mas deram um nome com menos uma palavra.

 

Lá limpei os restos mortais, sacudi-os na janela uma série de vezes enquanto dançava, cantava e me imaginava numa ilha com a minha K, quando acabo o servicinho, já stressado porque já devia estar a estudar há muito. Arrumo as coisas e vou ao quarto buscar o material de estudo. Ligo a luz e o cenário foi este: o Calvin Klein estendido na cama. Literalmente. Ali, sobre a minha coberta, estava o cujo: o meu mais recente perfume, com a tampa mal fechada e entornado, todinho em cima da roupa da cama. Fiquei destroçado. Fiquei estúpido para a vida. É que, não podia ter acontecido em pior altura com esta história toda dos problemas da figadeira cá em casa. Sou um rapaz que há um mês tinha 20 anos, e sou sensível (procuro rapariga…). Esta minha sensibilidade leva-me a que não consiga aguentar cheiros de perfume muito intensos. Uma pessoa vai na rua, e passa uma madame ou em engraxado com um pivete de flores e uma pessoa pensa logo em vomitar. Pois, esse cheiro se permanecer algum tempo ao meu redor, causa-me dores de barriga. E foi isso que aconteceu. Dores de barriga que começaram ontem e ainda hoje as sinto (de forma mais ligeira, vá…).

 

E a questão está aqui: porquê que a tampa estava mal fechada? Porque não se deve borrifar o perfume. Deve-se apenas pôr umas gotinhas. Então nos perfumes que o permitem, eu tiro a tampa, e ponho com a palhinha nos sítios certos. Depois, fechei mal a tampa e entornei o Calvin Klein, que estava cheio, na cama. O meu favorito, o All Star desapareceu. Eu sei que ele só tinha umas duas gotinhas, mas desapareceu e vou ter de investigar porquê. Só me resta o 212 Sexy Men, mas esse é muito forte à minha sensibilidade, por isso não posso pôr todos os dias.

 

Escusado será dizer que mesmo com a coberta a apanhar ar, não se pode estar no meu quarto. Somando a história da figadeira, sensibilidade do meu ser, Calvin Klein todo espalhado na cama… tenho medo. Tenho medo e cheiro mal, porque afinal, o meu desodorizante chama-se perfume: ponho sempre umas gotinhas na camisola por baixo do meu sovaco (é este o meu segredo).

 

Escrito por Kai às 16:24

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