'When life becomes something you didn’t expect…'

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Terça-feira, 16 de Novembro de 2010

Está na hora

Adiei o post, porque não sabia bem o que escrever. Não quero que seja deprimente, nem tão pouco um espectáculo. A verdade é que, melhor que uma memória, o blog registou muita coisa, umas mais importantes, momentos em que precisava de desabafar com ninguém, ou que cheirava a camisola de outras pessoas num balneário.

 

Estava a escovar os dentes e encontrei a palavra. Não me queria sentir Expiado, queria uma coisa minha sem que ninguém tivesse alguma coisa com isso, ou que tivesse de gostar. Resisti algumas vezes ao impulso de contar a alguém e assim o consegui, um pedacinho de um cantinho meu. Cresci, e a verdade é que nestes últimos meses, pequenas grandes coisas fizeram-me ter algo que há um ano não pensava ter e que, para dizer a verdade, nem sequer passaram pelo blog.

 

Estou mais apto a arriscar. Estou mais apto a ser eu e, mais uma vez, para dizer a verdade, nem sei o que isso significa, mas não tenho tanto medo de descobrir. Continuo a ser o mesmo. Sofro de problemas de memória, quando não me lembro que é Outuno, periodo propenso ao orvalho e que, por isso, se me sentar numa cadeira que esteve ao relento, corro o risco de andar pelo trabalho como se me tivesse mijado. Ou então, continuo a fazer ar de malcriado, porque há dias quando estava no ginásio e me sentia com a frautulência após um longo dia de trabalho, nada fazia prever que quando abrisse a boca fosse dar o maior arroto da minha vida. A sério, o Pumba iria sentir orgulho.

 

O que custa é a carga emocional. Há muito de mim aqui, mas suponho que seja como as fotos. Temos medo de perder os momentos, a imagem que foi tirada. Suponho que no futuro o que fica disso é uma memória ténue, uma pequena linha branca na cabeça. E talvez seja isso que conte. Isso, e naqueles dias em tons de cinzento, a nostalgia, o recordar. Apenas está na hora. Quem sabe se não volto daqui a um mês, um ano, ou então, não sinta essa necessidade. Uma coisa é certa, sinto-me bem e continuo a acreditar no mesmo quando comecei:

 

...às vezes, as nossas expectativas subestimam-nos.

Às vezes, o esperado perde importância em relação ao inesperado.

É de admirar porque nos agarramos às nossas expectativas.

Porque o esperado é… o que nos mantém estáveis, e nos mantém de pé.

O esperado é apenas o princípio.

O inesperado… é o que muda a nossa vida.

Grey's Antomy

 

 

p.s.1. Algo que fez parte do Volta Para Mim, algo que fez a diferença, foram aqueles que aqui me responderam. Não é lamechas nem tão pouco graxa, mas: Obrigado. ;)

p.s.2. Ok, sou lamechas. Demorei a carregar no "Publicar".

Sinto-me:
Música: Snow Patrol - Chasing Cars (live at the union chapel)
Quinta-feira, 28 de Outubro de 2010

A dureza do meu Corpo



Ontem, primeiro dia de trabalho com horário novo. Apesar da excitação que tenho sentido desde que soube da novidade, não me apetecia nada ir. Mas trabalho é trabalho, e sou feliz por o ter. Umas calças que tenho para ali, menos dois cotonetes, umas gotas de perfume aqui, ali, e aqui outra vez só mesmo pelo sim pelo não.

 

Fiz o meu trabalho com a mesma concentração de sempre, quase no mesmo estado rotineiro. Tive de ir a uma espécie de arrumos, um pequeno armazém arrumar umas coisas. Aquilo estava desarrumado, apertado ao ponto de eu parecer uma Torre Eiffel suspensa por duas pernas, com todo o cuidado para não me espetar no chão, e ficar soterrado com a tralha.. Entra uma colega minha, com a mão apontada a mim, “ó Bruno… OOOHHHHH O QUE É ISTO?!”

 

Eu não sei de onde veio aquele grito orgâsmico em pleno local de trabalho. Não sei de onde veio aquele falar num tom agudo, do género lavajona matrona que diz “Ó mnhieu Déus!” Com a mão apertou-me, a boca aberta num ó, “o que é essa coisa dura?” Eu, dada a minha brancura profunda, e o meu Karma ocidental, olhei para ela de lado com o olhar 34 bem ao meu estilo macho latino; de repente ouve-se lá fora: “Duro? O que é duro?!”, e entra outra funcionária. A primeira vira-se para ela e diz-lhe “olha anda cá, anda cá sentir isto”, ao que ela prontamente obedeceu. Arranjou forma de se enroscar: contorceu o corpo naquele espaço minúsculo, e já quente, um pé ali, o bico do outro pé mais acolá e apertou. E caramba se não apertou. Ficou uma em cada lado, com o ó feito na cara e eu, basicamente a sentir-me a Torre Eifel cheia de turistas curiosos a tocar no metal, a apreciar a sua beleza cultural, artístico-contemporânea, e a tirar fotografias para mais tarde recordar.

 

O ar desanuviou, e quando fomos comer, uma vez que não sou o tipo de rapaz de armar escândalo ou dar espectáculo só queria dar uma trinquinha na minha coxa de frango, dada a gânfia que já sentir. Mas não, o osso teve de ficar para mais tarde. Ela fez questão, mais uma vez com o Ó na boca, de informar toda a gente na cantina que sentiu algo duro, pelo que então ela gritou novamente óóooo, e apertou, e disse, não como o homem do Agora ou Nunca, mas quase: “Sintam, sintam, sintam, sintam!” E sentiram. É assim: no tempo dos chimpanzés eu já era macaco. E, apesar de não me sentir egocêntrico, gosto de acreditar que na Terra dos Macacos, eu sou o macaco que fica na ponta: aquele que é catado, mas que não cata ninguém. Assim foi: a coxa de frango já arrefecia, e eu sentado na cadeira, assisti a um desfilar de raparigas… peço perdão, mulheres, mulheres casadas e de filhos a apalparem-me o braço. A sentirem a dureza do meu bícep.

 

Confesso que de certa forma não me senti lá muito incomodado. Está tudo bem? Já dancei Kizomba com uma senhora que podia ser minha avó; esfreguei-lhe com a minha anca que foi uma maravilha. Mas não deixo que estas atenções, estes pequenos toques afectem o tipo de pessoa que sou. Aqueles boatos de que, quando eu lavo os dentes estou sempre a olhar de lado para ver o bícep no braço a trabalhar, são mentira. E aquilo de uma amiga minha dizer que os meus braços podem ser o passaporte de entrada para muitos sítios, também tem o seu quê de duvidoso ou ponta de verdade. Não, estas coisas não me mudam. E sinceramente, não foi por isso que hoje levei uma camisola de manga-curta e decotada, e apanhei com o frio na benta, só para poder realçar a minha estatura… hmm, quero dizer, estrutura física. Não, simplesmente estou consciente da dureza do meu corpo, e por isso eu agora sou como o Continente: também estou aberto aos Domingos se for preciso para receber apalpões.

 

Segunda-feira, 18 de Outubro de 2010

Sente a minha anca

O par agarra-se e num ritmo de melodias cruzadas, gracejam com os corpos. Despidos de olhares, intimidam-se dançando. É o que acontece quando se dança com um par. Uma vez aceitei o convite para dançar e, na pista, encostei-me a ela como sabia. Como um tubarão na água, aninhei-me e deslizamos agarrados. Na verdade, toda a dança passou-se com ela a dar-me patadas, “não é assim, é assado”: batia-me, agarrava-me e virava-me para um lado e para o outro; pegava em mim e encostava-se como ela queria. “O que tu queres é bife, mas eu sou gente tenra.” Depois de várias tentativas, éramos incompatíveis na dança, pelo que ela desistiu e voltou ao lugar.

 

Aprendida a experiência, estava tudo traçado para brilhar naquela festa popular de verão. Música de arromba, pessoas a dançar o vira, e uma parceira de dança para a minha confiança. Na verdade, a confiança era tanta que eu só queria que ela sentisse a minha anca. Então atirei-lhe a anca para cima, e via-a curvar-se. Não para me esquartejar, mas de dor. Ficou com um hematoma do tamanho de três dedos.

 

Quando se erra e se quer aprender, fala-se em escola de sabedoria. Quando se dança mal e não se quer deixar ninguém inválido com uma anca, fala-se em Academia de Dança. Foi para onde o Kai e uma amiga foram parar após terem recebido um convite para experimentarem durante um mês. Não me deixei abalar por ter levado dois pares de sapatilhas, duas camisolas, umas calças, uns calções, dois desodorizantes, dois perfumes, um desodorizante dos pés, umas havaianas, uma toalha de banho, uma toalha de suor e ter chegado lá e afinal não haver balneário. O que me abalou foi mesmo ter-me escondido atrás da porta da casa de banho para me vestir e ter levado com a porta na tromba quando alguém entrou.

 

Três, quatro dezenas de pessoas juntaram-se no salão frente ao espelho. Muitos iniciados, e o professor explicou os passos básicos. Uma questão de contagem: 1-2-3, 1-2-3-4-5-6-7, 1-2-3. Kai João tu consegues, são passos contados. O primeiro par e fomos com calma, esquerda, direita, tudo muito suave e chique. Troca de par. Também é a minha primeira vez, disse ela, mas fomos com calma e fomos conseguindo. Troca de par. Já conseguia dar a roda. Troca de par. Já a conseguia acompanhar. Troca de par. Já estou dentro da dinâmica, ui my God que alguém me pare. Troca de par. Começo a acelerar. Troca de par. Vamos arriscar dar mais passos. Troca de par. Sente a minha anca.

 

Na verdade, está provado cientificamente que os homens não fazem duas coisas ao mesmo tempo. Ou se dança, ou se conta os passos. Primeiro par: apesar de ser a minha amiga, a minha parceira das noites, ela a rainha da noite e eu o rei quando nos juntamos, eu ia para a esquerda, ela para a direita. Éramos dois ímanes avariados até que ela levantou-me a mão à frente de todos e disse “pára, eu contigo não consigo, já nem me estou a sentir bem.” Troca de par. Também é a minha primeira vez, disse ela, e não saímos do sítio. Troca de par. E continuamos a não sair do sítio. Troca de par. Ui, desculpa não a queria calcar. Troca de par. Dei uma cacetada ao par do lado. Duas. Três. Ai desculpe… Quatro. Troca de par. Olá, sou o João e não vou dançar, vou só tentar não a calcar. Troca de par. Ui, mas você tem idade para ser a minha avó, onde é que a posso agarrar? (Acho que lhe desapertei o soutien). Troca de par. O instrutor vem ter comigo e pergunta-me se me estou a sentir bem. Troca de par. Quinta cacetada. Troca de par. Outra cacetada, e vira-se o par: é melhor afastarmo-nos um pouco. Ai não filha, o gajo do lado que desampare a loja. Ele que experimente dançar Kizomba com tamanho 44, todo suado, agarrado à avó.

 

Na verdade, só dei os passos básicos, mas os homens sentem-se um pouco limitados no que toca a fazer duas coisas ao mesmo tempo. A verdade é que amanhã é a próxima aula, e que de caminho vou para uma garagem praticar. Dançar bem… não é para mim, só quero que alguém sinta a minha anca sem que isso cause dor. Não peço mais nada.

Domingo, 17 de Outubro de 2010

Filme: O Solista

À medida que via o filme, a palavra que me ocorria era ‘humano’. A meio do filme surgiu a palavra caracterizadora deste fantástico filme, desta história que é verídica: ‘ Estado de Graça.’

 

Sexta-feira, 15 de Outubro de 2010

Confiança

Hoje sinto-me… Como é que hei-de dizer isto… Grrr. Sinto-me sexy. Não é gula, egocentrismo ou vaidade. Chama-se confiança, por isso achei por bem que não mo importava de o dizer.

Sinto-me:
Quinta-feira, 14 de Outubro de 2010

"Promovido"

Tão simplesmente chamaram por mim. Fiquei de pé nervoso e, finalmente, quando me disseram para sentar, ouvi: “… bom trabalho… organizado… responsável…precisamos de ajuda para isto.” Aumentaram a minha carga horária mais duas horas. Vou continuar a fazer o que já fazia, e nas outras duas vou tratar, ainda que com a natural supervisão que a função exige, de algo maior, algo mais importante, algo responsável.

 

Ainda não é um emprego de 8 horas, mas é muita coisa. “I love it here.” É mesmo muita coisa, algo com significado para mim. Hoje, tenho um grande sorriso.

 

Sinto-me:
Terça-feira, 12 de Outubro de 2010

O elevador

Aconteceu no meu aniversário. Acordei radiante: apesar da chuva intensa, o sol apontava para mim e prometia ser um grande dia. Ia comemorar no meu trabalho e vesti… Desta vez, pus de lado a camisola que realça o peito ou os braços. Fiquei-me por uma de gola aberta, assim para o masculino-decotado. Não daquelas que revela demasiado, mas que deixa uma quantidade suficiente de pescoço descoberto para se poder dizer: consigo ver, mas mesmo assim pergunto-me o que terá escondido por baixo (e não, não é um pack de 6 abdominais).

 

Andei radiante pelos corredores, sentia-me bem, fiz o meu trabalho, tive de ir ao cais da loja buscar umas encomendas. Ao mesmo tempo encontrei, a senhora do café que foi buscar as encomendas dela e, sejamos honestos, como gentilmen que sou, curvei-me e arrumei-lhe os sumos todos para o elevador e subimos juntos. Ou pelo menos tentamos. O elevador avariou.

 

Depois de várias tentativas, e de não obter resposta ao carregar no botão, virei-me para ela e disse-lhe que o elevador não estava a dar. “Mas como é que não está a dar?” Tipo, do género, eu carrego no botão e não acontece nada, nem a porta abre. “Mas não dá como?” Oh, o caraças, mas estás parva? Olha, não sobe para baixo nem para cima! “Ai não. Ai não. Ai não.” Ela começa a encher os pulmões, aponta as mãos para a cara, e como um leque, começa a abaná-las repetidamente.

 

Vendo aqueles sintomas, fiz a derradeira pergunta: “É claustrofóbica? Sou.” Não, mas é que nem penses nisso. Eu faço anos, não me vais tirar o protagonismo! Livra-te de caíres redonda no chão, eu deixo-te aí ficar! E ela continuava a abanar as gânfias, parecia uma gaivota no meio de uma nortada de Agosto. Mas é que não, este é o meu dia. Sabes quanto tempo esperei por este dia? Um ano! Esquece o abafo, bebe um sumo, já que estamos atolados no meio deles e recompõe-te antes que te enfie um Compal de Ananás pela goela abaixo!

 

Comecei de imediato a pensar no que fazer para me destacar. Gritar não seria uma boa escolha. Quando era pequeno, na catequese, fomos explorar um pinhal. A catequista disse: se alguém se perder, grite. Vimos os pinheirinhos, as bolotas e todas as outras criaturas de Deus. Quando por acaso nos cruzamos todos no centro de uma árvore e ninguém sabia para que lado se virar eu disse ‘vou gritar’. “Não! Estamos perdidos? Estamos. Então vou gritar”, e Kai João gritou que nem uma menina. A catequista encontrou-nos, e eu passei a ser na altura o rapaz medricas que grita como uma menina, o que para um rapaz naquela idade, dá cabo da auto-estima.

 

Se não podia gritar, a única solução seria ela cair a espumar no chão e eu, como herói, fazer-lhe o boca-a-boca. “Mas espera aí, também não posso.” Apesar de ainda não ter tomado o 2º pequeno-almoço e já ter lavado os dentes, estava com problemas de hálito. Sim, porque homem que é homem usa camisolas decotadas e tem hálito à Leopardo!

 

Eu já a escorrer de suor e ela “Ai, ai, ai, ai”, e continuava a abanar as mãos. Ó filha, eu acho que ainda não percebeste as circunstâncias de se estar preso num elevador: podes dar às asas o que quiseres, mas não é a voar que vais sair daqui. Era o que me faltava: faço anos e fico preso num elevador com uma claustrofóbica e ela é que se arma em Diva. Kai João acalma-te, a mulher está a morrer, controla a situação. Decidi então tomar o passo óbvio: carregar no alarme do elevador, coisa que lhe disse antes de o fazer, ao que ela responde “Mas o que é isso do alarme?” Ó Santa Tosta, mas você andou a snifar Fenistil Gel, ou está mesmo a entrar em pânico? Eu via-a a ficar toda orada e naquele momento tornei-me a prova do que dizem no Discovery Channel (o Odisseia é uma seca!) é verdade: em momentos de aflição, tornámo-nos fisicamente mais fortes. E, caramba, se eu não parecia o Rambo com um decote: virei-me para a porta dupla do elevador, cerrei os dentes, puxei, puxei, puxei e consegui lentamente abrir um pouco da porta.

 

Vendo a luz do cais, saí. Já com aquela sensação de importante, no meio de uma história feliz com potencial para aparecer no noticiário no meu dia de anos (yupi!), partilhei toda a minha bravura física e no plural disse “Conseguimos!” À falta de resposta, virei-me para o elevador e acreditei que, de tão orado que também já estava, a minha visão me traía, já que não via mais ninguém. De seguida ouvi “Ainda estou cá dentro!” Ah bom, afinal vejo bem; estou é a ouvir mal.

 

O quê? Mas o quê? Ao que parece, aquela matrona claustrofóbica estava tão em pânico que ficou com medo de ficar trilhada na porta, que acabou por se fechar! Já via a capa do jornal: “Jovem intelectual, em plena capacidade das suas forças, abandona mulher frágil às portas da morte.” Ou não, melhor: “Jovem acnoso, com uma camisola que, na verdade, não lhe fica assim tão bem, abandona, com medo, uma senhora em pânico, porque quando uma lhe pede o número de telemóvel, é um homem que marca encontro com ele!”

 

Eu já esganado de fome, disse-lhe:”Puxe, puxe, puxe!” Ela puxou, Kai puxou, e quando a porta cedeu um pouco ela salta cá para fora. A seguir, saiu dali a correr. Esvaiu-se. Nem um obrigado. Nem um “posso ver o que tens por baixo da camisola?” Nada. Cruzei os braços e vi-a a ir-se embora sem olhar para trás. “Corre. Foge. Foge, porque racional e rapaz simples sem complexos que sou, mantive a calma: preparei-me para um possível boca-a-boca, carreguei no alarme, forcei uma porta contra as leis da física. Desafio os meninos da catequese a vir aqui agora e dizer quem é que o medricas que grita como uma menina no meio de um pinhal. Foge minha matrona.”

Sexta-feira, 8 de Outubro de 2010

Pressentimentos

“(…) was my church, my school, my home. My safe place, my sanctuary. I love it here.”

Grey’s Anatomy, Sanctuary.

 

 

Estou bem. Mas tenho um pressentimento. Ontem, quase como prenda adiantada, o meu chefe máximo congratula-me pelo meu recorde de vendas dos últimos dias. Fez constar por email às várias pessoas da minha loja, onde todos procuraram por mim para me dar os parabéns por isso.

 

Hoje, apesar de não gostar de festejar o meu aniversário, acabei por levar um bolo. Apagaram as luzes, rodearam-me, bateram palmas e festejaram os meus 22 anos. Pessoas que são chefes, daqueles a quem fazemos sentido militar para não faltar ao respeito, participaram; coisa que não acontece sequer com os “grandes” e eu, que trabalho só de manhã, e há poucos meses, recebi a maior das atenções.

 

Tenho um curso acabado, os meus pais, a atenção do meu irmão para o ajudar na escola, um beijo da minha avó; Amigos. Tenho-me sentido no meu santuário, onde (finalmente?) tudo parece estar bem, onde eu pareço estar bem, mas tenho um pressentimento. Por tudo estar bem, ando a perder o sono, porque sinto que algo que vai acontecer; algo mau que vai mudar tudo. Não sei, é um pressentimento; sempre disse que tenho um 7º sentido, e isso assusta-me.

 

A verdade é que faço 22 anos, e hoje, este é o meu Santuário. I love it here.

 

 

 

(p.s.1. Pessoas aproximam-se, pessoas afastam-se. Talvez esse seja o pressentimento, porque hoje vi o que há meses soube que ia acontecer nesta altura. Hoje vi, isto porque: tenho saudades tuas.)

 

p.s.2. finalmente, nada de 20+2, ou 21+1; hoje sim, hoje são 22!!