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  <title>Volta Para Mim</title>
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  <description>Volta Para Mim - SAPO Blogs</description>
  <lastBuildDate>Tue, 16 Nov 2010 17:48:05 GMT</lastBuildDate>
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  <pubDate>Tue, 16 Nov 2010 17:41:46 GMT</pubDate>
  <title>Está na hora</title>
  <author>Kai</author>
  <link>https://voltaparamim.blogs.sapo.pt/96768.html</link>
  <description>&lt;p&gt;Adiei o post, porque não sabia bem o que escrever. Não quero que seja deprimente, nem tão pouco um espectáculo. A verdade é que, melhor que uma memória, o blog registou muita coisa, umas mais importantes, momentos em que precisava de desabafar com ninguém, ou que cheirava a camisola de outras pessoas num balneário.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Estava a escovar os dentes e encontrei a palavra. Não me queria sentir Expiado, queria uma coisa minha sem que ninguém tivesse alguma coisa com isso, ou que tivesse de gostar. Resisti algumas vezes ao impulso de contar a alguém e assim o consegui, um pedacinho de um cantinho meu. Cresci, e a verdade é que nestes últimos meses, pequenas grandes coisas fizeram-me ter algo que há um ano não pensava ter e que, para dizer a verdade, nem sequer passaram pelo blog.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Estou mais apto a arriscar. Estou mais apto a ser eu e, mais uma vez, para dizer a verdade, nem sei o que isso significa, mas não tenho tanto medo de descobrir. Continuo a ser o mesmo. Sofro de problemas de memória, quando não me lembro que é Outuno, periodo propenso ao orvalho e que, por isso, se me sentar numa cadeira que esteve ao relento, corro o risco de andar pelo trabalho como se me tivesse mijado. Ou então, continuo a fazer ar de malcriado, porque há dias quando estava no ginásio e me sentia com a frautulência após um longo dia de trabalho, nada fazia prever que quando abrisse a boca fosse dar o maior arroto da minha vida. A sério, o Pumba iria sentir orgulho.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O que custa é a &lt;em&gt;carga emocional&lt;/em&gt;. Há muito de mim aqui, mas suponho que seja como as fotos. Temos medo de perder os momentos, a imagem que foi tirada. Suponho que no futuro o que fica disso é uma memória ténue, uma pequena linha branca na cabeça. E talvez seja isso que conte. Isso, e naqueles dias em tons de cinzento, a nostalgia, o recordar. Apenas está na hora. Quem sabe se não volto daqui a um mês, um ano, ou então, não sinta essa necessidade. Uma coisa é certa, sinto-me bem e continuo a acreditar no mesmo quando comecei:&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;“&lt;em&gt;...às vezes, as nossas expectativas subestimam-nos.&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;em&gt;Às vezes, o esperado perde importância em relação ao inesperado.&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;em&gt;É de admirar porque nos agarramos às nossas expectativas.&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;em&gt;Porque o esperado é… o que nos mantém estáveis, e nos mantém de pé.&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;em&gt;O esperado é apenas o princípio.&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;em&gt;O inesperado… é o que muda a nossa vida.&lt;/em&gt;”&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;em&gt;&lt;span style=&quot;font-size: xx-small;&quot;&gt;Grey&apos;s Antomy&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;background-color: #ffffff; color: #003366;&quot;&gt;&lt;strong&gt;p.s.1.&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt; Algo que fez parte do Volta Para Mim, algo que fez a diferença, foram aqueles que aqui me responderam. Não é lamechas nem tão pouco graxa, mas: Obrigado. ;)&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;color: #003366;&quot;&gt;&lt;strong&gt;p.s.2. &lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;Ok, sou lamechas. Demorei a carregar no &quot;Publicar&quot;.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;background-color: #ffffff; color: #003366;&quot;&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;</description>
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  <lj:music>Snow Patrol - Chasing Cars (live at the union chapel)</lj:music>
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  <pubDate>Thu, 28 Oct 2010 20:10:08 GMT</pubDate>
  <title>A dureza do meu Corpo</title>
  <author>Kai</author>
  <link>https://voltaparamim.blogs.sapo.pt/96761.html</link>
  <description>&lt;p&gt;﻿&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Ontem, primeiro dia de trabalho com horário novo. Apesar da excitação que tenho sentido desde que soube da novidade, não me apetecia nada ir. Mas trabalho é trabalho, e sou feliz por o ter. Umas calças que tenho para ali, menos dois cotonetes, umas gotas de perfume aqui, ali, e aqui outra vez só mesmo pelo sim pelo não.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Fiz o meu trabalho com a mesma concentração de sempre, quase no mesmo estado rotineiro. Tive de ir a uma espécie de arrumos, um pequeno armazém arrumar umas coisas. Aquilo estava desarrumado, apertado ao ponto de eu parecer uma Torre Eiffel suspensa por duas pernas, com todo o cuidado para não me espetar no chão, e ficar soterrado com a tralha.. Entra uma colega minha, com a mão apontada a mim, “ó Bruno… OOOHHHHH O QUE É ISTO?!”&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Eu não sei de onde veio aquele grito orgâsmico em pleno local de trabalho. Não sei de onde veio aquele falar num tom agudo, do género lavajona matrona que diz “&lt;em&gt;Ó mnhieu Déus!&lt;/em&gt;” Com a mão apertou-me, a boca aberta num ó, “o que é essa coisa dura?” Eu, dada a minha brancura profunda, e o meu Karma ocidental, olhei para ela de lado com o olhar 34 bem ao meu estilo macho latino; de repente ouve-se lá fora: “Duro? O que é duro?!”, e entra outra funcionária. A primeira vira-se para ela e diz-lhe “olha anda cá, anda cá sentir isto”, ao que ela prontamente obedeceu. Arranjou forma de se enroscar: contorceu o corpo naquele espaço minúsculo, e já quente, um pé ali, o bico do outro pé mais acolá e apertou. E caramba se não apertou. Ficou uma em cada lado, com o &lt;em&gt;ó&lt;/em&gt; feito na cara e eu, basicamente a sentir-me a Torre Eifel cheia de turistas curiosos a tocar no metal, a apreciar a sua beleza cultural, &lt;em&gt;artístico-contemporânea&lt;/em&gt;, e a tirar fotografias para mais tarde recordar.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O ar desanuviou, e quando fomos comer, uma vez que não sou o tipo de rapaz de armar escândalo ou dar espectáculo só queria dar uma trinquinha na minha coxa de frango, dada a gânfia que já sentir. Mas não, o osso teve de ficar para mais tarde. Ela fez questão, mais uma vez com o Ó na boca, de informar toda a gente na cantina que sentiu algo duro, pelo que então ela gritou novamente óóooo, e apertou, e disse, não como o homem do Agora ou Nunca, mas quase: “Sintam, sintam, sintam, sintam!” E sentiram. É assim: no tempo dos chimpanzés eu já era macaco. E, apesar de não me sentir egocêntrico, gosto de acreditar que na Terra dos Macacos, eu sou o macaco que fica na ponta: aquele que é catado, mas que não cata ninguém. Assim foi: a coxa de frango já arrefecia, e eu sentado na cadeira, assisti a um desfilar de raparigas… peço perdão, mulheres, mulheres casadas e de filhos a apalparem-me o braço. A sentirem a dureza do meu &lt;em&gt;bícep&lt;/em&gt;.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Confesso que de certa forma não me senti lá muito incomodado. Está tudo bem? Já dancei Kizomba com uma senhora que podia ser minha avó; esfreguei-lhe com a minha anca que foi uma maravilha. Mas não deixo que estas atenções, estes pequenos toques afectem o tipo de pessoa que sou. Aqueles boatos de que, quando eu lavo os dentes estou sempre a olhar de lado para ver o&lt;em&gt; bícep&lt;/em&gt; no braço a trabalhar, são mentira. E aquilo de uma amiga minha dizer que os meus braços podem ser o passaporte de entrada para muitos sítios, também tem o seu quê de duvidoso ou ponta de verdade. Não, estas coisas não me mudam. E sinceramente, não foi por isso que hoje levei uma camisola de manga-curta e decotada, e apanhei com o frio na benta, só para poder realçar a minha estatura… hmm, quero dizer, estrutura física. Não, simplesmente estou consciente da dureza do meu corpo, e por isso eu agora sou como o Continente: também estou aberto aos Domingos se for preciso para receber apalpões.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;</description>
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  <pubDate>Mon, 18 Oct 2010 16:23:07 GMT</pubDate>
  <title>Sente a minha anca</title>
  <author>Kai</author>
  <link>https://voltaparamim.blogs.sapo.pt/96481.html</link>
  <description>&lt;p&gt;O par agarra-se e num ritmo de melodias cruzadas, gracejam com os corpos. Despidos de olhares, intimidam-se dançando. É o que acontece quando se dança com um par. Uma vez aceitei o convite para dançar e, na pista, encostei-me a ela como sabia. Como um tubarão na água, aninhei-me e deslizamos agarrados. Na verdade, toda a dança passou-se com ela a dar-me patadas, “não é assim, é assado”: batia-me, agarrava-me e virava-me para um lado e para o outro; pegava em mim e encostava-se como ela queria. “O que tu queres é bife, mas eu sou gente tenra.” Depois de várias tentativas, éramos incompatíveis na dança, pelo que ela desistiu e voltou ao lugar.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Aprendida a experiência, estava tudo traçado para brilhar naquela festa popular de verão. Música de arromba, pessoas a dançar o vira, e uma parceira de dança para a minha confiança. Na verdade, a confiança era tanta que eu só queria que ela sentisse a minha anca. Então atirei-lhe a anca para cima, e via-a curvar-se. Não para me esquartejar, mas de dor. Ficou com um hematoma do tamanho de três dedos.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Quando se erra e se quer aprender, fala-se em escola de sabedoria. Quando se dança mal e não se quer deixar ninguém inválido com uma anca, fala-se em Academia de Dança. Foi para onde o Kai e uma amiga foram parar após terem recebido um convite para experimentarem durante um mês. Não me deixei abalar por ter levado dois pares de sapatilhas, duas camisolas, umas calças, uns calções, dois desodorizantes, dois perfumes, um desodorizante dos pés, umas havaianas, uma toalha de banho, uma toalha de suor e ter chegado lá e afinal não haver balneário. O que me abalou foi mesmo ter-me escondido atrás da porta da casa de banho para me vestir e ter levado com a porta na tromba quando alguém entrou.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Três, quatro dezenas de pessoas juntaram-se no salão frente ao espelho. Muitos iniciados, e o professor explicou os passos básicos. Uma questão de contagem: 1-2-3, 1-2-3-4-5-6-7, 1-2-3. Kai João tu consegues, são passos contados. O primeiro par e fomos com calma, esquerda, direita, tudo muito suave e chique. Troca de par. Também é a minha primeira vez, disse ela, mas fomos com calma e fomos conseguindo. Troca de par. Já conseguia dar a roda. Troca de par. Já a conseguia acompanhar. Troca de par. Já estou dentro da dinâmica, &lt;em&gt;ui&lt;/em&gt; &lt;em&gt;my God que alguém me pare&lt;/em&gt;. Troca de par. Começo a acelerar. Troca de par. Vamos arriscar dar mais passos. Troca de par. Sente a minha anca.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Na verdade, está provado cientificamente que os homens não fazem duas coisas ao mesmo tempo. Ou se dança, ou se conta os passos. Primeiro par: apesar de ser a minha amiga, a minha parceira das noites, ela a rainha da noite e eu o rei quando nos juntamos, eu ia para a esquerda, ela para a direita. Éramos dois ímanes avariados até que ela levantou-me a mão à frente de todos e disse “pára, eu contigo não consigo, já nem me estou a sentir bem.” Troca de par. Também é a minha primeira vez, disse ela, e não saímos do sítio. Troca de par. E continuamos a não sair do sítio. Troca de par. Ui, desculpa não a queria calcar. Troca de par. Dei uma cacetada ao par do lado. Duas. Três. &lt;em&gt;Ai desculpe&lt;/em&gt;… Quatro. Troca de par. Olá, sou o João e não vou dançar, vou só tentar não a calcar. Troca de par. Ui, mas você tem idade para ser a minha avó, onde é que a posso agarrar? (Acho que lhe desapertei o soutien). Troca de par. O instrutor vem ter comigo e pergunta-me se me estou a sentir bem. Troca de par. Quinta cacetada. Troca de par. Outra cacetada, e vira-se o par: é melhor afastarmo-nos um pouco. Ai não filha, o gajo do lado que desampare a loja. Ele que experimente dançar Kizomba com tamanho 44, todo suado, agarrado à avó.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Na verdade, só dei os passos básicos, mas os homens sentem-se um pouco limitados no que toca a fazer duas coisas ao mesmo tempo. A verdade é que amanhã é a próxima aula, e que de caminho vou para uma garagem praticar. Dançar bem… não é para mim, só quero que alguém sinta a minha anca sem que isso cause dor. Não peço mais nada.&lt;/p&gt;</description>
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  <pubDate>Sun, 17 Oct 2010 16:48:48 GMT</pubDate>
  <title>Filme: O Solista</title>
  <author>Kai</author>
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  <description>&lt;p&gt;À medida que via o filme, a palavra que me ocorria era ‘humano’. A meio do filme surgiu a palavra caracterizadora deste fantástico filme, desta história que é verídica: ‘ Estado de Graça.’&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
&lt;div class=&quot;saportecontainer&quot; style=&quot;text-align: center;&quot;&gt;
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&lt;/p&gt;</description>
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  <pubDate>Fri, 15 Oct 2010 16:15:27 GMT</pubDate>
  <title>Confiança</title>
  <author>Kai</author>
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  <description>&lt;p&gt;Hoje sinto-me… Como é que hei-de dizer isto… Grrr. Sinto-me sexy. Não é gula, egocentrismo ou vaidade. Chama-se confiança, por isso achei por bem que não mo importava de o dizer.&lt;/p&gt;</description>
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  <pubDate>Thu, 14 Oct 2010 16:31:46 GMT</pubDate>
  <title>&quot;Promovido&quot;</title>
  <author>Kai</author>
  <link>https://voltaparamim.blogs.sapo.pt/95649.html</link>
  <description>&lt;p&gt;Tão &lt;em&gt;simplesmente &lt;/em&gt;chamaram por mim. Fiquei de pé nervoso e, finalmente, quando me disseram para sentar, ouvi: “… bom trabalho… organizado… responsável…precisamos de ajuda para isto.” Aumentaram a minha carga horária mais duas horas. Vou continuar a fazer o que já fazia, e nas outras duas vou tratar, ainda que com a natural supervisão que a função exige, de algo maior, algo mais importante, algo responsável.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Ainda não é um emprego de 8 horas, mas é muita coisa. “I love it here.” É mesmo muita coisa, algo com significado para mim. Hoje, tenho um grande sorriso.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;</description>
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  <pubDate>Tue, 12 Oct 2010 16:18:48 GMT</pubDate>
  <title>O elevador</title>
  <author>Kai</author>
  <link>https://voltaparamim.blogs.sapo.pt/95439.html</link>
  <description>&lt;p&gt;Aconteceu no meu aniversário. Acordei radiante: apesar da chuva intensa, o sol apontava para mim e prometia ser um grande dia. Ia comemorar no meu trabalho e vesti… Desta vez, pus de lado a camisola que realça o peito ou os braços. Fiquei-me por uma de gola aberta, assim para o &lt;em&gt;masculino-decotado&lt;/em&gt;. Não daquelas que revela demasiado, mas que deixa uma quantidade suficiente de pescoço descoberto para se poder dizer: consigo ver, mas mesmo assim pergunto-me o que terá escondido por baixo (e não, não é um pack de 6 abdominais).&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Andei radiante pelos corredores, sentia-me bem, fiz o meu trabalho, tive de ir ao cais da loja buscar umas encomendas. Ao mesmo tempo encontrei, a senhora do café que foi buscar as encomendas dela e, sejamos honestos, como &lt;em&gt;gentilmen&lt;/em&gt; que sou, curvei-me e arrumei-lhe os sumos todos para o elevador e subimos juntos. Ou pelo menos tentamos. O elevador avariou.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Depois de várias tentativas, e de não obter resposta ao carregar no botão, virei-me para ela e disse-lhe que o elevador não estava a dar. “Mas como é que não está a dar?” Tipo, do género, eu carrego no botão e não acontece nada, nem a porta abre. “Mas não dá como?” Oh, o caraças, mas estás parva? Olha, não sobe para &lt;em&gt;baixo&lt;/em&gt; nem para cima! “Ai não. Ai não. Ai não.” Ela começa a encher os pulmões, aponta as mãos para a cara, e como um leque, começa a abaná-las repetidamente.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Vendo aqueles sintomas, fiz a derradeira pergunta: “É claustrofóbica? Sou.” Não, mas é que nem penses nisso. Eu faço anos, não me vais tirar o protagonismo! Livra-te de caíres redonda no chão, eu deixo-te aí ficar! E ela continuava a abanar as gânfias, parecia uma gaivota no meio de uma nortada de Agosto. Mas é que não, este é o meu dia. Sabes quanto tempo esperei por este dia? Um ano! Esquece o abafo, bebe um sumo, já que estamos atolados no meio deles e recompõe-te antes que te enfie um Compal de Ananás pela goela abaixo!&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Comecei de imediato a pensar no que fazer para me destacar. Gritar não seria uma boa escolha. Quando era pequeno, na catequese, fomos explorar um pinhal. A catequista disse: se alguém se perder, grite. Vimos os pinheirinhos, as bolotas e todas as outras criaturas de Deus. Quando por acaso nos cruzamos todos no centro de uma árvore e ninguém sabia para que lado se virar eu disse ‘vou gritar’. “Não! Estamos perdidos? Estamos. Então vou gritar”, e Kai João gritou que nem uma menina. A catequista encontrou-nos, e eu passei a ser na altura o rapaz medricas que grita como uma menina, o que para um rapaz naquela idade, dá cabo da auto-estima.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Se não podia gritar, a única solução seria ela cair a espumar no chão e eu, como herói, fazer-lhe o boca-a-boca. “Mas espera aí, também não posso.” Apesar de ainda não ter tomado o 2º pequeno-almoço e já ter lavado os dentes, estava com problemas de hálito. Sim, porque homem que é homem usa camisolas decotadas e tem hálito à Leopardo!&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Eu já a escorrer de suor e ela “Ai, ai, ai, ai”, e continuava a abanar as mãos. Ó filha, eu acho que ainda não percebeste as circunstâncias de se estar preso num elevador: podes dar às asas o que quiseres, mas não é a voar que vais sair daqui. Era o que me faltava: faço anos e fico preso num elevador com uma claustrofóbica e ela é que se arma em Diva. Kai João acalma-te, a mulher está a morrer, controla a situação. Decidi então tomar o passo óbvio: carregar no alarme do elevador, coisa que lhe disse antes de o fazer, ao que ela responde “Mas o que é isso do alarme?” Ó Santa Tosta, mas você andou a &lt;em&gt;snifar Fenistil Gel&lt;/em&gt;, ou está mesmo a entrar em pânico? Eu via-a a ficar toda orada e naquele momento tornei-me a prova do que dizem no Discovery Channel (o Odisseia é uma seca!) é verdade: em momentos de aflição, tornámo-nos fisicamente mais fortes. E, caramba, se eu não parecia o Rambo com um decote: virei-me para a porta dupla do elevador, cerrei os dentes, puxei, puxei, puxei e consegui lentamente abrir um pouco da porta.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Vendo a luz do cais, saí. Já com aquela sensação de importante, no meio de uma história feliz com potencial para aparecer no noticiário no meu dia de anos (yupi!), partilhei toda a minha bravura física e no plural disse “Conseguimos!” À falta de resposta, virei-me para o elevador e acreditei que, de tão orado que também já estava, a minha visão me traía, já que não via mais ninguém. De seguida ouvi “Ainda estou cá dentro!” Ah bom, afinal vejo bem; estou é a ouvir mal.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O quê? Mas o quê? Ao que parece, aquela matrona claustrofóbica estava tão em pânico que ficou com medo de ficar trilhada na porta, que acabou por se fechar! Já via a capa do jornal: “Jovem intelectual, em plena capacidade das suas forças, abandona mulher frágil às portas da morte.” Ou não, melhor: “Jovem &lt;em&gt;acnoso&lt;/em&gt;, com uma camisola que, na verdade, não lhe fica assim tão bem, abandona, com medo, uma senhora em pânico, porque quando uma lhe pede o número de telemóvel, é um homem que marca encontro com ele!”&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Eu já esganado de fome, disse-lhe:”Puxe, puxe, puxe!” Ela puxou, Kai puxou, e quando a porta cedeu um pouco ela salta cá para fora. A seguir, saiu dali a correr. Esvaiu-se. Nem um obrigado. Nem um “posso ver o que tens por baixo da camisola?” Nada. Cruzei os braços e vi-a a ir-se embora sem olhar para trás. “Corre. Foge. Foge, porque racional e rapaz simples sem complexos que sou, mantive a calma: preparei-me para um possível boca-a-boca, carreguei no alarme, forcei uma porta contra as leis da física. Desafio os meninos da catequese a vir aqui agora e dizer quem é que o medricas que grita como uma menina no meio de um pinhal. Foge minha matrona.”&lt;/p&gt;</description>
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  <category>elevador</category>
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  <pubDate>Fri, 08 Oct 2010 15:22:41 GMT</pubDate>
  <title>Pressentimentos</title>
  <author>Kai</author>
  <link>https://voltaparamim.blogs.sapo.pt/95103.html</link>
  <description>&lt;p&gt;“(…) was my church, my school, my home. My safe place, my sanctuary. I love it here.”&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-size: xx-small;&quot;&gt;&lt;em&gt; Grey’s Anatomy, Sanctuary.&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style=&quot;text-align: right;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: xx-small;&quot;&gt;&lt;em&gt; &lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Estou bem. Mas tenho um pressentimento. Ontem, quase como prenda adiantada, o meu chefe máximo congratula-me pelo meu recorde de vendas dos últimos dias. Fez constar por email às várias pessoas da minha loja, onde todos procuraram por mim para me dar os parabéns por isso.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Hoje, apesar de não gostar de festejar o meu aniversário, acabei por levar um bolo. Apagaram as luzes, rodearam-me, bateram palmas e festejaram os meus 22 anos. Pessoas que são chefes, daqueles a quem fazemos sentido militar para não faltar ao respeito, participaram; coisa que não acontece sequer com os “grandes” e eu, que trabalho só de manhã, e há poucos meses, recebi a maior das atenções.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Tenho um curso acabado, os meus pais, a atenção do meu irmão para o ajudar na escola, um beijo da minha avó; Amigos. Tenho-me sentido no meu santuário, onde (finalmente?) tudo parece estar bem, onde eu pareço estar bem, mas tenho um pressentimento. Por tudo estar bem, ando a perder o sono, porque sinto que algo que vai acontecer; algo mau que vai mudar tudo. Não sei, é um pressentimento; sempre disse que tenho um 7º sentido, e isso assusta-me.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;A verdade é que faço 22 anos, e hoje, &lt;em&gt;este&lt;/em&gt; é o meu Santuário. I love it here.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;em&gt;(&lt;span style=&quot;color: #003366;&quot;&gt;&lt;strong&gt;p.s.1&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;. Pessoas aproximam-se, pessoas afastam-se. Talvez esse seja o pressentimento, porque hoje vi o que há meses soube que ia acontecer nesta altura. Hoje vi, isto porque: tenho saudades tuas.)&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;color: #003366;&quot;&gt;&lt;strong&gt;p.s.2&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;. finalmente, nada de 20+2, ou 21+1; hoje sim, hoje são 22!!&lt;/p&gt;</description>
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  <pubDate>Wed, 06 Oct 2010 16:59:58 GMT</pubDate>
  <title>Ser o irmão mais velho</title>
  <author>Kai</author>
  <link>https://voltaparamim.blogs.sapo.pt/94606.html</link>
  <description>&lt;p&gt;O problema de eu não me imaginar a ter filhos, é que não sou dado a questões familiares. Sou quase como um renegado. Não partilho as minhas coisas com familiares, não suporto os encontros de Domingo e, basicamente, não querendo ser ingrato, porque costumam a ser os primeiros a ajudar-nos, gosto que me deixem no meu canto, que não se intrometam.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;E isto deve-se porque passei a tarde a fazer os &lt;em&gt;tpc &lt;/em&gt;de história do meu irmão, e bufei, suei, protestei, disse merda, disse pensa, pensa, pensa, põe-te atento, estás a ouvir?, põe-te direito, já me estás a enervar… E continua, continua, continua. Pessoalmente, enche-me o ego os meus pais depositarem confiança em mim, para não pôr o meu irmão numa explicadora, porque estou cá eu e sei. Enche-me saber que &lt;em&gt;eu&lt;/em&gt; sei, que posso ajudar. Mas não me imagino a ter filhos, porque no que concerne a familiares fico nervoso facilmente. Perco a paciência facilmente, eu que não sou dado a violências nem semelhantes.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Este acne todo não se deve apenas a um mau uso de cremes hidratantes, mas ao despertar do stress em mim. Se alguém fizer algum mal ao meu irmão, é porque não teve a coragem, mas sim a ignorância de não me conhecer quando me provocam através dele. Mas a verdade é que devia dar valor ao poder ajudar. Ser daqueles irmãos que fazem as coisas mais criativas para lhe explicar que se um século tem 100 anos, e o ano 1 pertence ao século I, então o ano 2000 não é o século XX. Por isso pego numa folha, faço letras grandes com a cara inchada e vermelha num sopro de falta de paciência, e forço o bico do lápis. É uma coisa que tenho de mudar, porque ter a oportunidade de ter alguém que se pode orgulhar de mim e escreve o sucesso próximo de alguém, como é o caso do meu irmão mais novo, e não aproveitar, é de alguém que não tem a coragem, mas a ignorância de, a momentos de fazer 22 anos, não querer ver o que tem à frente dos olhos.&lt;/p&gt;</description>
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  <pubDate>Wed, 06 Oct 2010 15:07:35 GMT</pubDate>
  <title>Para mim (5)</title>
  <author>Kai</author>
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  <description>&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Pela primeira vez tive de a abraçar, e sem palavras dizer-lhe estou aqui.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;</description>
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  <category>para mim</category>
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  <pubDate>Fri, 01 Oct 2010 16:49:16 GMT</pubDate>
  <title>Sim, não e o depois</title>
  <author>Kai</author>
  <link>https://voltaparamim.blogs.sapo.pt/94260.html</link>
  <description>&lt;p&gt;Diria de uma simples – e talvez um pouco bela – forma que a vida se resume em dois momentos: aqueles em que dizemos sim, e os que dizemos não; a seguir, é o depois, a consequência desse acto.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Apontando para o sim, com aquele meu jeito de &lt;em&gt;boy &lt;/em&gt;inocente, o meu ar de graça, aos poucos fomo-nos conhecendo; fui-me aproximando dela. Apesar do feitio difícil, ela parecia gostar de mim. Começamos a falar à vontade, sempre de forma descontraída, até riamos juntos de coisas que dizíamos. Eis então, que ela faz uma voz fina, encolhe os ombros como tímida, e pergunta-me “podes dar-me o teu número.” Eu disse-lhe que sim. Esperei pela mensagem em que receberia o número dela.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Na mensagem ela queria marcar um encontro, e apesar de já não andar na escola, não demonstrar interesse pelo &lt;em&gt;acordo &lt;/em&gt;ortográfico (como cidadão não acordei nada com vivalma), apercebi-me de como a rotina das palavras nos passa a perna: “Fazes &lt;em&gt;isso&lt;/em&gt;, e sofres as &lt;em&gt;consequências&lt;/em&gt;.” Isso, como singular, resulta em consequências no plural.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Um encontro é bom, ela rapariga, eu rapaz, duas pessoas a conhecerem-se, mas três… é demais. Eu disse que lhe dava o número e ela insistia em levar um amigo para me conhecer também. Pela forma como ela insistia, comecei a achar estranho. Comecei, naturalmente, a imaginar coisas porcas. Sim, isso mesmo, esse tipo de coisas porcas onde três é demais. Porquê que o  amigo me queria conhecer se ela própria que já me tinha visto várias vezes mal me conhecia? É assim, sou bom moço, é verdade que tenho medo de descobrir o meu QI, mas sou pessoa de bem e de princípios, apesar de vez em quando gostar de cometer as minhas liberdades. Mas… “consequência&lt;span style=&quot;text-decoration: underline;&quot;&gt;s&lt;/span&gt;”.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Passado um pouco fez-se luz por cima do meu couro cabeludo que a minha Dermatologista apelidou de muito sensível, e vi: ela não ia! Ela pediu-me o número, eu disse que sim, ela marca encontro, vai estar a trabalhar e é o a-m-i-g-o que me quer conhecer! Que amigo? Um rapaz?! É o teu pai que me quer ver, ou tenho de me preocupar com um ex-namorado, membro do Gangue dos Tubarões, acabado de sair da prisão? “Olá, apresento-te o Sr. Punho!”&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Eu tenho um Parque de Diversões. É uma espécie de &lt;em&gt;Bracalândia&lt;/em&gt;: é um lugar de felicidade, de diversão, onde se podem ter vários momentos, mas é um clube selecto! Não é qualquer um que vai andar na montanha-russa ou na bailarina, certo? Então, porquê que uma pessoa que não sabe da minha existência, das minhas potenciais qualidades sejam elas quais forem, me quer conhecer, é rapaz, e a pessoa mutua que nos conhece nem sequer está presente?&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Isto só pode ser mau olhado: sou tímido, não é todos os dias que o meu lado Sasha anda por aí a dar um pezinho de dança… Então, porquê que a rapariga pede-me o número, e é o amigo que não sabe minimamente quem sou que me quer conhecer? É triste, sinto-me desolado. Ainda hoje, estava no ginásio, e por lá pairava uma rapariga, digamos de uma forma frontal, com tudo no sítio; era perfeitinha, por acaso, coitadinha. “Vou impressioná-la, vou ser o Hulk! Vou fazer estes exercícios de pernas, com muitos pesos apesar de andar todo torto.” Assim o fiz; quando acabei, ela foi fazer o mesmo exercício, e com praticamente os mesmos pesos que eu! “Olhem para mim, tenho pernas de menina e um rapaz que nunca me viu quer-me conhecer!” Um rapaz! Eu dei o número a uma rapariga!&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Estou esgotado. Isto, porque eu consigo compreender o facto de as mulheres se revoltarem por os homens não deitaram para baixo a tampa da sanita. É o raio de uma tampa! Por cima de um buraco que vai dar à fossa! Onde está a dificuldade? E percebo ainda, o histerismo na época de saldos: &lt;em&gt;dah&lt;/em&gt;, está mais barato, é claro que se corre para a loja! Mas o resto desisto. Não as compreendo.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;É mau de mais, e eu tenho um Parque de Diversões. Este Parque tem vários carrosséis, mas com o passar de tempo, precisa de diversões novas, de se reinventar. Então, eu dou o meu número para procurar novos investidores, porque não pode ser qualquer um: há que seleccionar com cuidado para ver qual carrossel irá trazer maior rentabilidade ao Parque em geral. Mas o IVA vai aumentar, e eu dou o meu número a um investidor para trazer os carros-de-choque e vem alguém que me quer vender farturas! Sinto-me cansado, o meu Parque está às moscas: a Montanha-russa não circula, a Bailarina não dança, e eu prestes a completar um aniversário sinto que este Parque está quase a declarar falência. É triste ao que isto chegou: dou um sim, e vem um mau depois.&lt;/p&gt;</description>
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  <pubDate>Wed, 22 Sep 2010 17:15:05 GMT</pubDate>
  <title>Sentido de Lealdade</title>
  <author>Kai</author>
  <link>https://voltaparamim.blogs.sapo.pt/94171.html</link>
  <description>&lt;p&gt;Tenho montes de acne; provavelmente tenho algum desequilíbrio hormonal. Devo ter mais estrogénio que testosterona: ando de patins e fico com um rabo à Shakira; vou ao ginásio e fico com um peito mamonas assassinas; e preocupo-me com as palavras. Dou valor ao significado por trás de uma palavra, do “dá cá um abraço”, “és importante para mim”, “és o meu melhor amigo”, “podes contar comigo.”&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Gosto de ser diferente, por isso ando a aproveitar o fim da época balnear para ir para a praia e, finalmente, aproveitar o “verão”. Estávamos deitados, e de repente veio um cão na nossa direcção. O pensamento foi logo “lá vem um monte de pulgas”.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Era a cadela mais bonita, mais meiga… Tinha fome, por isso demos-lhe as nossas bolachas e, quando já não tínhamos mais para dar, sentou-se ao nosso lado com uns olhos tão meigos, a sério que os tinha, e lambeu a ferida aberta que tinha. Depois adormeceu o resto da tarde ao nosso lado.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Vivo num apartamento, para ter um gato foi um martírio que durou anos para acontecer, mas a vontade de trazer aquele animal era tanta. Vestimo-nos, arrumamos a tralha e mal começamos a andar, ela acorda e vem atrás de nós, como se dissesse “voltei a encontrar um dono, por isso tenho de os seguir”. O significado de ter alguém para cuidar de mim. Aceleramos o passo, sempre a olhar para trás e tivemos de arrancar, cada um no seu carro, porque nenhum de nós tinha condições para a levar.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Afecta-me ver assim um animal, principalmente porque tenho estrogénio e dou valor ao significado das palavras. Um dia ouvi e não me esqueci: “podes espancar um cão, maltratá-lo e magoá-lo mas, se passado um minuto, o chamares, ele vai ter contigo. Há maior lealdade que essa?”&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;color: #003366;&quot;&gt;&lt;strong&gt;p.s.&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt; se soubesse quem foi o estupor que a abandonou, levava tamanha cepa…&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;</description>
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  <pubDate>Fri, 17 Sep 2010 15:58:14 GMT</pubDate>
  <title>Ser memorável</title>
  <author>Kai</author>
  <link>https://voltaparamim.blogs.sapo.pt/93780.html</link>
  <description>&lt;p&gt;Lembro-me de percorrer o corredor para o outro pavilhão na escola aquando do meu 5º ano, quando uma vizinha minha, já no 9º ano, provocava na brincadeira um colega dela. De um momento para o outro, enquanto ele seguia à nossa frente, tal como uma folha se desprende da árvore, ele inclina-se e baixa as calças, mostrando o rabo. Fiquei parvo, tonto, um pouco como toda a gente quando vê pela primeira vez um rabo.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Andava no 5º ano, usava camisas, a minha mãe ainda me escolhia a roupa e obrigava-me a usar botas quando chovia; era ingénuo e acreditava em cegonhas e pensava que pêlos eram exclusividade de macacos. Então, qual não é o meu espanto quando vejo aquele moço, o chamado “crescido”, a mostrar aqueles dois pães enfarinhados em público. Pela primeira vez na minha mente surgiu a palavra rebeldia, e momento memorável, de coragem, que não se esquece.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Desde então, entrando na puberdade, cometendo as perdas de identidade dessa idade fui ficando com vários momentos memoráveis, tentativas de imitar a rebeldia, como por exemplo, ser novo, e chegar à escola de mota. Pois, quando há uns dias um amigo meu compra uma mota, fiquei com o bichinho de querer ter eu também uma moto e puder sentir-me livre, irresponsável e memorável.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Mãe, disse eu, vou comprar uma mota. Ela parou o que estava a fazer, olhou para mim de soslaio e contra o facto de eu ter 20+1 anos, abriu a gaveta e tirou de lá uma colher de pau. Não. Sim, ela veio atrás de mim e deu-me em cheio no braço direito. Isto seria o que aconteceria se eu lhe dissesse isto, mas como ela me mataria se eu sequer pensasse em ter uma moto, decidi-me como as pessoas que se enganam a elas mesmas: não quero engordar, por isso vou comer aquela bolacha &lt;em&gt;light&lt;/em&gt; porque, por milagre, sabe ao mesmo, mas com menos gordura. Então, quando vi o capacete &lt;em&gt;light&lt;/em&gt; dele desamparado no banco, o meu coração bateu como a Pocahontas a correr no manto, peguei, ao fim de tanto ano, no símbolo de rebeldia e pu-lo na cabeça.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Aquela sensação… Quer dizer, primeiro veio o cheiro a suor, e pela primeira vez não era eu. Ui. Ele é meu amigo, por isso não lhe disse, mas aquilo tinha um cheiro a foca, a vácuo lá dentro, que até me deu uma &lt;em&gt;oura&lt;/em&gt;. Mas a sensação de me sentir com o capacete na cabeça, o ar de rebeldia, quase como pôr as nádegas ao leu. Vi-me ao espelho, apreciei o momento, senti-me memorável, e tirei-o. Ou pelo menos tentei.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O engraçado nos capacetes é que devemos prender a correia por baixo do pescoço para os segurar, e não pôr o capacete com a correia por dentro, correndo o risco de ela se entrelaçar nas orelhas e o capacete ficar preso na cabeça. Puxei para a esquerda, saltei, puxei para a direita, puxei a fazer o olhar 27, puxei outra vez e nada. A sério? Porquê?&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Eu quero ser o rapaz que chega à escola, põe o descanso da mota e, suavemente, tal como uma folha se desprende, se liberta da árvore, tira o capacete gentilmente, e abre os olhos em câmara lenta. Sacode o cabelo ao estilo&lt;em&gt; Pantene&lt;/em&gt;, e a rapariga que se aproxima, sorri-lhe com os seus dentes &lt;em&gt;Sonazol&lt;/em&gt;. Já eu, tenho verborreia. Falo sem pensar. Tenho pés grandes, por isso não ando, o que faço é tentar não tropeçar em mim mesmo. E, finalmente, ao fim de 9 anos de tortura, suplicio e sofrimento, marquei uma consulta no dermatologista para tentar tirar todo este acne, e agora que lá vou é que a cara fica tapada. É um pouco difícil ter acne colado à pele, e curá-lo quando tenho um capacete colado ao acne na pele!&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Não, pensei, não vou ser como aquelas pessoas que vão parar ao hospital porque puseram Objectos Estranhos Não Identificados em partes angulosas do corpo e que ficaram lá presos. “Olá, fala a mãe do Kai? Daqui é o médico, por cima da ausência de cérebro, o seu filho tem um capacete preso!” E tudo porque o crescido mostrou o rabo quando eu andava no 5º ano! Naquele momento, na 5ª classe, soube que as cegonhas mágicas com os bebés, tem penas, andam nuas; descobri a nudez. E agora que a minha mãe não me obriga a usar botas, aproveito a simplicidade de ter uma casa de banho cheia de espelhos para me ver. Sim, a gravidade também afecta os homens e, confesso, gosto de me ver de perfil! É verdade! Coisa que é complicada de se fazer com um capacete na cabeça que não me deixa sequer abrir os olhos de tão apertado que está!&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Puxei, e puxei. Inclinei-me tal com o rapaz – mas fiquei com as calças –, pus as mãos numa extremidade do capacete, uma amiga noutra, e ela puxou, e eu puxei. E não dava. Eu já sufocava, fiquei com a vista turba, e ao fim de algum desespero, de uns minutos e de olhares preocupados e uma orelha danificada, tirei-o. A moral está aqui: Kai João, jamais mostrarás o rabo shakira em público, não vás mudar a vida de outras pessoas!&lt;/p&gt;</description>
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  <pubDate>Thu, 16 Sep 2010 15:17:45 GMT</pubDate>
  <title>HP 7: Trailer</title>
  <author>Kai</author>
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  <description>&lt;p&gt;Acho que as minhas preces foram ouvidas, o esquecer o&lt;a title=&quot;Lado Expiação dos filmes&quot; href=&quot;http://voltaparamim.blogs.sapo.pt/84800.html&quot; target=&quot;_blank&quot; rel=&quot;noopener&quot;&gt; patamar da qualidade&lt;/a&gt;. Podia dizer coisas bonitas, como foi o filme que me fez começar a ler livros, ou que foi a 1ª vez que fui ao cinema com os amigos sem os pais, que partilhei o primeiro VHS (!), que me faz imaginar ainda com esta idade &lt;em&gt;e se eu fosse um feiticeiro&lt;/em&gt;.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O que interessa, é que não quero saber de Óscares ou críticas. Este trailer faz-me querer passar umas horas a ser entretido sem me preocupar com mais nada, e o resto é letra; sinto-me criança! Aleluia, estou curado!&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
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  <pubDate>Sun, 12 Sep 2010 17:05:07 GMT</pubDate>
  <title>&apos;Rainha da Noite&apos;</title>
  <author>Kai</author>
  <link>https://voltaparamim.blogs.sapo.pt/93422.html</link>
  <description>&lt;p&gt;Não estava nada previsto. O ter entrado na loja de roupa para comprar uma prenda, e acabar por comprar uma camisola para mim. O ter descoberto há umas semanas uma saca abandonada na dispensa com um conjunto de pequenos perfumes amostra. O passar a andar sempre com um atrás, e ver que quando o cheiro a foca se aproxima, abro o gargalo e toca a espalhar. O ver que comigo não adianta ter as sapatilhas lavadas, pôr desodorizante nos pés e pó talco nas sapatilhas. Não queria cheirar mal, por isso peguei nelas, pus umas gotinhas de perfume no dedo e pus nas sapatilhas. E sim, para ver se adiantava de alguma coisa, Kai João pegou nelas, e no silêncio do seu quarto, longe de olhares indiscretos, enfiei o nariz nas sapatilhas e cheirei-as: pela primeira vez não senti aquele cheiro pútrido a morte, mas a &lt;em&gt;Givenchy, pour homme&lt;/em&gt;.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Lá jantamos fora, tardiamente, e eu já suplicava mentalmente: levem-me para casa. Óbvio que não fomos, e quando ouvi o slogan do bar ‘música dos anos 80’ nada fazia prever o que se ia passar. Decidi tomar um passo de risco. As pessoas dançavam, mexiam os pés para o lado e eu… aos poucos comecei a sentir a batida. Camisola &lt;em&gt;cheiro a novo&lt;/em&gt;, sapatilhas &lt;em&gt;cheiro a givenchy&lt;/em&gt; e meti-me no meio. Mexi um pé para a esquerda. Voltei a juntá-lo ao meio, e depois afastava o da direita. Ele regressava, e afastava novamente o da esquerda e assim sucessivamente. Aos poucos fui aumentando a velocidade. Afasta um, volta ao meio, afasta o outro, volta ao meio, afasta um… De repente, foi como no outro dia quando bebi um gratinado de limão: senti uma iluminação a percorrer-me a espinha, senti-me um carro eléctrico a dizer “bateria carregada”, toca a acelerar. E Deus se não acelerei.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Tornei-me na Shakira, num lobisomem, e uivei pela noite fora. Os meus pés voavam como um Speed Gonzalez, a minha mão percorria o cabelo pantene como num anúncio erótico em que a água cai pelo corpo, e lentamente a mão percorre o corpo. Fiz o &lt;em&gt;hips dont lie&lt;/em&gt;, o &lt;em&gt;olhem para mim afinal consigo dançar&lt;/em&gt;, o &lt;em&gt;alguém que me tire daqui que estou a gostar e não consigo parar&lt;/em&gt;! Que foi feito do &lt;a title=&quot;Anti-Social&quot; href=&quot;http://voltaparamim.blogs.sapo.pt/92743.html&quot; target=&quot;_blank&quot; rel=&quot;noopener&quot;&gt;anti-social&lt;/a&gt; pensei eu? Ele estava lá. Estava tanto lá, que meti-me sozinho no meio de um círculo de pessoas e pus-me no meio deles a dançar, ao ponto de me ter mandado para o chão no meio deles a tentar fazer movimentos hip hop ao som de música dos anos 80.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Senti-me um espectador a observar de fora. Não fui eu. Foi o meu lado &lt;a title=&quot;Sasha Fierce&quot; href=&quot;http://voltaparamim.blogs.sapo.pt/78760.html&quot; target=&quot;_blank&quot; rel=&quot;noopener&quot;&gt;Sasha Fierce&lt;/a&gt;! Fui uma fera, pus toda a gente a olhar para mim, fui o centro das atenções e… gostei! E de facto, eu não sei dançar e o segredo está aí. Quando parava de rodar a cabeça, olhava para ver se alguém me observava, isso paralisava-me. Então, porquê olhar? Dor de cotovelo há muita, olhem à vontade, eu estou noutro mundo, e vocês queriam era dar um par de dança comigo.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Ironicamente, não fui eu a dizer “vamos embora”, e quando ouvi isso pedi: “oh, só mais uma música, por favor.” Maldita a hora em que o disse, pus-me a fazer o &lt;em&gt;Moonwalk&lt;/em&gt; ao som da Sheryl Crow e dei tamanha calcadela à mulher que me apanhou por traz. Cruzes, ela ficou com uma &lt;em&gt;oura&lt;/em&gt;! Uma &lt;em&gt;oura&lt;/em&gt;, e um par de unhas encravadas. Foram mais de duas horas com o afasta e junta pés, não parei uma vez para me sentar, foi sempre a dar-lhe, e então, quando fui pela rua fora, a dançar ao som do silêncio pela calçada (e não, não estava com a pinga, porque tenho um fígado sensível e só bebo cola), senti-me como o outro há uns verões atrás quando andava por esses palcos portugueses fora a cantar: és a rainha da noite, e serás para miiiim, és a rainha da noite e serás até ao fim!&lt;/p&gt;</description>
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  <category>anti-social</category>
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  <category>eléctrico</category>
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  <lj:mood>Sasha Fierce! Auuuuuu...</lj:mood>
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  <pubDate>Thu, 09 Sep 2010 16:49:36 GMT</pubDate>
  <title>Coisas que fazem o meu dia</title>
  <author>Kai</author>
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  <description>&lt;p&gt;Por vezes há pequenas coisas que fazem ganhar o dia. No meu caso, é eu gostar de uma coisa, e ver que os outros também gostam.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Ganhei o dia, porque estou em pulgas para ver o &lt;a title=&quot;Trailer: Never Let Me Go&quot; href=&quot;http://voltaparamim.blogs.sapo.pt/91415.html&quot; target=&quot;_blank&quot; rel=&quot;noopener&quot;&gt;Never Let Me Go&lt;/a&gt;, e pegar na revista Times e ler “Never Let Me Go, based on Kazuo Ishiguro’s novel, is a superb, poignant film abou love unto death” e “[…] Mulligan makes those silences eloquent, the heartbreak nearly audible”, fez-me sorrir de orelha a orelha!&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;</description>
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  <pubDate>Mon, 06 Sep 2010 15:44:32 GMT</pubDate>
  <title>Assumidamente Anti-Social</title>
  <author>Kai</author>
  <link>https://voltaparamim.blogs.sapo.pt/92743.html</link>
  <description>&lt;p&gt;As vezes as verdades demoram a chegar, e quando surgem, vem quase como uma estalada. Sábado à noite, com os amigos dos meus pais convidados para vir cá a casa e eu com os meus 20+1 anos, não me apetecia estar a beber o chá das 22 como anti-social reprimido. Peguei numas calças, na camisola &lt;em&gt;ficas com o peito à medida&lt;/em&gt; e lá fui com uns amigos dar umas voltas.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Depois de algumas paragens, lá fomos para uma espécie de bar/discoteca/bailarico. Quando lá entrei, Kai João, põe bailarico nisso. Eu com o meu casaco fato-de-treino ao ombro; aquela gente, na pista de dança, com os seus saltos altos, brilhantina, saias brancas, cabelos câmara lenta; tudo de bom e do melhor. Então, eu no meu canto, tímido ao modo espero que a porta de entrada seja a mesma de saída, observei-os; aquela raça estranha. Roçavam-se uns nos outros, tocavam-se suavemente nos dedos, trocavam olhares, sensualidade, beijos, e segundo o meu novo médico, o Dr. Oz, germes.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Os corpos deslizavam suavemente. Curvavam-se todos, e eu só me perguntava: tu sabes que tens ossos nessa parte do corpo? Ossos rijos, fortes, anti-flexíveis que não te permitem dobrar o corpo nesse sítio? Minutos mais tarde, sobe um par ao palco, e com música Kizomba diziam façam o mesmo que nós. O chocante: as pessoas faziam. Um braço no ar, e eles punham; uma voltinha e eles davam; façam a nádega esquerda falar, e elas falavam. Eu já ventilava, encolhido com o medo da possibilidade de alguém me convidar a dançar. Que isso não aconteça, levas uma calcadela que te atrofias toda. Disse a mim mesmo: olha para eles Kai João. Sem vergonha, sem ossos, e parecem felizes. E tu aqui. Eles a fazer grandes movimentos, e era como nos filmes: vemos um actor a fazer exercício físico, e apesar de ainda não ter chegado o cinema 4D, quase que o conseguimos cheirar e não cheira mal: sente-se um ar a cereja doce. Eles dançavam e eram um monte de cerejas; eu estava parado a ver se não adormecia em pé, e escorria dos sovacos.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;De seguida… a visão. Tive um professor no primeiro curso. A sua cara enrugada, ar de poucos amigos e, na pratica ele não dava aulas. Aqueles 90 minutos era um discursar de teorias matemáticas, uma troca de impressões e constatações para com ele. No fundo, aquelas aulas eram um monólogo. Aquele cabelo era irreconhecível. Senti o tempo a andar mais devagar, ouvia a música em câmara lenta, &lt;em&gt;abim&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;abim&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;tum&lt;/em&gt;,&lt;em&gt; tum&lt;/em&gt;,&lt;em&gt; atchim&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;atchim&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;atum&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;atum&lt;/em&gt;, e no meio da pista lá estava ele a arrasar: a sua mão segurava a de uma mulher e ele fazia-a a voar. A tua mulher sabes que estás aqui com o teu sapato de crocodilo? Ela sabe que chegaste a dançar com duas mulheres e um homem… ao mesmo tempo?! Sabe que foste para o meio da pista, tal como nos filmes, onde as pessoas te viram a dançar? Onde é que eu estou? Depois, só tive tempo de ver um tubarão na minha direcção.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Uma mulher, com umas pernas larocas, ela dançava o samba toda esgazeada, e a mão dela no ar, a aproximar-se cada vez mais de mim. Eu já quase a desfalecer, e a mão voadora aproximava-se. Ó filha vais-me dar uma galheta, que se eu fico estendido no chão nunca mais me levanto. Já estou todo orado de estar a levar com tanta luz, que se me acertas, então é que fico sem ver nada.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Foi aí, nesse momento que eu vi: constatei o que já tinha &lt;a title=&quot;Anti-Social&quot; href=&quot;http://voltaparamim.blogs.sapo.pt/46338.html&quot; target=&quot;_blank&quot; rel=&quot;noopener&quot;&gt;dito&lt;/a&gt;. Eu não queria estar ali. Eu perguntava ao relógio se ia a tempo de ir beber o bule de chá com pessoas com idade para serem meus pais. Não sou do estilo de me acariciar a outra pessoa em público, nem sei fazer esses movimentos. Calço o 44, o meu dia-a-dia é uma batalha para ao andar não tropeçar nos meus pés, nunca irei dançar. Não me enquadro aqui, e então as 4 horas daquela noite, com uma mão a perseguir-me, o meu professor que já devia ter ido para a reforma a fazer inveja a Sónia Araujo no Dança Comigo, admiti em silêncio para mim mesmo: sou anti-social. Tenho pés grandes, por isso as pessoas afastam-se. Ponho Dark Tempation, besunto-me com perfume, encurto secretamente os pêlos dos sovacos com a minha tesoura da primária, para não suar e cheirar tão mal, mas já nada resulta. Custa-me dar com outros seres humanos. É como se eu fosse de uma outra espécie. E de facto, um chazinho com uma bolacha Maria é do melhor.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;color: #003366;&quot;&gt;&lt;strong&gt;p.s.&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt; ontem voltei a pegar nos patins em linha. Depois de ter desfalecido umas três vezes no espaço de duas horas: Shakira ass is back!&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;</description>
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  <category>anti-social</category>
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  <pubDate>Wed, 25 Aug 2010 19:13:40 GMT</pubDate>
  <title>A secção</title>
  <author>Kai</author>
  <link>https://voltaparamim.blogs.sapo.pt/92484.html</link>
  <description>&lt;p&gt;Eu estou esgaseado. Sentado na minha cadeira, do meu trabalho a partime fizeram-me a pergunta, se temporariamente estava disposto a fazer mais horas... na secção. A secção que eu tanto cobiçei, a área que eu quis tanto experimentar, que me fazia olhar por cima do ombro, pôr-me em bicos de pés e gritar inocentemente &quot;estou aqui&quot;. Finalmente consegui.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Eu sei que é temporário, é só até a meio do próximo mês, mas estou feliz. Estou esgaseado. Sinto-me orgasmizado. Não vou criar esperanças, vai ser cansativo, mas aquilo de ter férias três meses era de quando eu jogava as escondidinhas. Agora quero trabalhar. É temporário, mas é na secção, e durante as próximas 3 semanas nada me vai tirar esta felicidade. Nem os clientes mal dispostos.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;p.s para completar, ao fim de tantos meses tenho o Sims 3. Vou poder comportar-me como adolescente mimado e ingénuo num mundo de jogos desligado do exterior, gerindo bonecos animados. Iupi!!&lt;/p&gt;</description>
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  <category>partime</category>
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  <category>secção</category>
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  <pubDate>Tue, 24 Aug 2010 16:05:09 GMT</pubDate>
  <title>Uma questão de educação</title>
  <author>Kai</author>
  <link>https://voltaparamim.blogs.sapo.pt/92323.html</link>
  <description>&lt;p&gt;Gosto de comprar revistas e jornais para ler expressões como filme de ouro, ou filme do ano, carga de humanidade, sobre o Toy Story 3. Sou daquelas pessoas que está ao seu canto, até que alguém o chame. Gosto de comer um iogurte antes de ir dormir. Não sei estar sozinho, não gosto de dizer asneiras e gostava de viver sempre no mundo dos 14-16 anos. Acredito que fui bem educado, e que os meus pais, na sua grande paciência me deram valores. Ensinaram-me o que é o respeito e que, por mais coisas más que a vida nos dê, se culparmos o mundo e todos os outros por isso, só contribuímos para que tudo piore e abdicamos de um pouco de nós. Assim, há coisas que me chocam, que me tiram de mim.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;A minha avó, que tem vários problemas de saúde e que aguenta mais dor do que ninguém (é uma certeza que eu tenho), vive numa jaula, que é o mesmo que dizer: tem de andar na rua, não pode ficar um dia em casa. Por isso, apesar de não poder, &lt;em&gt;deixamo-la &lt;/em&gt;ir; sai de casa às 7, vai à igreja, compra pão e as vezes toma o pequeno-almoço na rua, porque lhe sabe bem a meia de leite. Quando ela regressa no autocarro, uma senhora com sacas, repara que uma delas, com carne do talho, sujou-lhe as calças com sangue. Levanta-se, e ignorando o óbvio, pousa as sacas no banco. A minha avó, não com ar autoritário, diz-lhe que não é correcto, porque alguém vai sentar-se a seguir, e vai estragar a roupa, como já aconteceu à minha mãe. Choca-me que de imediato a mulher largue tudo, e se atire à minha avó, insultando-a com todos os nomes possíveis, e mesmo apertando-lhe o pescoço. Estranhamente, a mãe dessa &lt;em&gt;mulher&lt;/em&gt;, com a idade da minha avó ia ao lado dela a assistir.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Acredito que fui bem educado, e que os meus pais, na sua grande paciência me deram valores. Há coisas que não faço: não acredito em violência, muito menos num homem que ataca uma mulher, por isso nunca o farei. Há palavras que não digo, porque acho que denigram aquilo que uma pessoa é. Mas as vezes perdemos um pouco de nós, para defender os nossos, por isso vou-te denegrir, perder um pouco de valor e chamar-te isto: cabra. Se eu estivesse lá, mesmo sem recorrendo a violência, e se fizesses isso à minha frente, e não precisava de ser a minha avó, eu ia garantir que para o resto da tua vida pensasses duas vezes antes de agires como uma cabra irracional sem valor.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Não é desculpa sermos uns coitadinhos porque a vida nos tratou mal ou deu-nos pouco e aceitamos isso. Por isso das duas uma: ou a vida te tratou mal e aceitaste isso, e então não tens desculpa, ou então és mesmo alguém com as calças sujas, sem valor, e que por isso, não merece a minha atenção. Como tal, a ti, quem quer que sejas, atentamente, cabra.&lt;/p&gt;</description>
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  <category>humanidade</category>
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  <pubDate>Tue, 17 Aug 2010 15:45:45 GMT</pubDate>
  <title>Rodelas de ananás</title>
  <author>Kai</author>
  <link>https://voltaparamim.blogs.sapo.pt/91989.html</link>
  <description>&lt;p&gt;Dizem que é por medo que não falamos. Temos um sentimento forte em nós, quase sentimos um extinto animal, o acumular de ar que nos faz encher o peito e nos impele a dizer algo; algo que precisamos de dizer, algo que sentimos mas que, pelo medo, pela importância que a outra pessoa tem para nós não conseguimos dizer. Não, porque sabemos que no momento em que o pronunciarmos, em que dissermos as palavras, aquelas palavras, as coisas mudam, surge um novo caminho.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Não sei como lhe dizer isto. Anda a perturbar-me e no momento em que nos encontramos os dois, frente àquilo, tenho aquela necessidade de fazer passar a mensagem facial de que está tudo bem, de que é bom. Ainda agora começou, ainda agora é tudo tão fresco, tão alusivo a esta altura do Verão que… Como posso eu acabar com isto? Por que não me limito a aproveitar isto, desfrutar de tudo, mesmo que não goste, mesmo que custe um pouco se é para o bem dela, se a faz feliz? Só sei que não a quero magoar, mas não sei onde a dor é maior, se na verdade ou na mentira.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Se eu lhe conseguisse dizer, se o medo não me toldasse a fala, olhava-a de frente como ser sincero e, com a simplicidade das palavras, a natureza da realidade, dizia-lhe: Mãe, tens de parar de pôr bocadinhos de ananás na salada! Não dá! Eu adoro salada, eu adoro ananás, mas não mistures as coisas! Eu sei que é Verão e, para além de ser bom comer coisas frescas, é bom mudar a rotina da alimentação. Lasanha, bife, massa, arroz, peixe, feijão, costeletas, salada simples, lasanha, bife, massa… Eu sei, é tão bom ser como aqueles cozinheiros: pegar num osso de frango meio comido, juntar uma folha do jardim e fazer um prato delicioso. Fazer daqueles pratos que vemos numa revista de culinária, um naco de frango com uma folha de rosmaninho em cima e dizemos, isto tem bom aspecto; esqueçam Botticelli ou a Mona Lisa, isto sim é arte.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Mas mãe, o tempero da salada escorre para as rodelas de ananás, e o ananás passa a saber a &lt;em&gt;ananás-azeitado&lt;/em&gt;. Nem é ananás, nem é salada. Por isso, pronto, vá, não chores, eu sei que queres fazer algo diferente e eu também ando numa de comer coisas diferentes, ir para caminhos mais exóticos, mas vamos com calma, sim? Mesmo assim cozinhas bem, está bem?&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;</description>
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  <pubDate>Thu, 12 Aug 2010 16:04:32 GMT</pubDate>
  <title>Memórias de um cano</title>
  <author>Kai</author>
  <link>https://voltaparamim.blogs.sapo.pt/91699.html</link>
  <description>&lt;p&gt;Uma vez que já estou a trabalhar apenas em partime decidi voltar para o ginásio. Aproveitei o dia de folga e lá fui eu. “Olá! Voltei”, vesti o meu calçãozinho, procurei uma idosa a tentar seduzir-me na minha imaginação, procurei não beber a água de outra pessoa, não limpar o meu suor à toalha de outro, suster a respiração e fazer peito para dar a impressão de que está a resultar; acabei, tirei a roupa com todo um modo sedutor, fui para o chuveiro, carreguei no botão da água à pressão do chuveiro e… caos. O fim do mundo. Destruição total.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;No momento em que carreguei no botão foi água por todo o lado, e nenhuma saiu pelos orifícios do chuveiro; foi mais pelo cano; foi mais pelos buracos que tinha no topo do cano. E não é um daqueles canos manhosos de plástico. Era um daqueles de alumínio ou ferro ou de igual resistência. A água sai à pressão o que, para além de sair muita, o chuveiro só se desliga passado um tempo.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Sem poder gritar por auxílio, porque um homem nestas condições não pode pedir ajuda… Eu bem me lembro quando era pequeno e deu na RTP casos de polícia, em que o homem algemou a mulher à cama, vestiu-se de Batman, trepou para cima do guarda-vestidos, mandou-se para cima dela, mas caiu um pouco ao lado: estatelou-se no chão. Os vizinhos ouviram os gritos (não os esperados), a polícia chega, vê uma mulher nua acorrentada, e o Batman partido e dorido no chão. No meio do risco de escorregar, e estando eu nu, podia dar azo a mas interpretações e caso de polícia. Então, não gritei e decidi lutar pela sobrevivência.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Como nos desenhos animados, tentei pôr cada um dos dedos num buraco, mas a força da água era muita. Acabava sempre por sair um guincho numa ou outra direcção, e o risco de ser atingido à pressão num olho ou noutras zonas residentes sensíveis era demasiado. Mas o pior estava em cima de mim. A dobra do chuveiro, de onde estavam os buracos, estava toda amassada.  Como aquilo ficou assim não sei, mas que alguém se dependurou no chuveiro como um macaco, lá isso se dependurou. O porquê de o ter feito, deixo ao critério e imaginação de mentes mais irascíveis.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Com a dobra naquele estado, era muita a quantidade de água que voava em direcção ao tecto. Escorria água do tecto que nem uma fonte, e maldita a hora em que eu estava com os calores e por isso carreguei no botão ao máximo. O tecto, aquele tecto falso de placas de plástico a levar com mangueiradas de água. Tinha de fazer alguma coisa. Prendi os dedos dos pés nas minhas havaianas e, com estas nádegas flácidas e brancas de meter impressão ao léu e a tremerem com o medo de uma possível queda, tentei tapar os buracos que apontavam ao tecto, mas mais uma vez sem sucesso. O tecto e eu éramos atingidos por jactos de água por todo o lado. Desisti. Era demasiada hidratação para mim e o medo de causar prejuízos fez com que pegasse na minha toalha e na cuequinha e fosse para outro chuveiro aos saltinhos como o capuchinho vermelho, versão nudez tímida.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Não podia correr o risco de ficar ali e levar com o tecto em cima da benta. Eu quero que me vejam nu, mas não através de equipas de socorro a vasculhar nos destroços de um balneário de um ginásio, a encontrar um corpo afogado, nu, erecto, estendido num chão de micose, com um olho negro e contraplacado de tecto na boca.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Ali, no chuveiro ao lado, sentindo-me corporalmente exposto, enquanto via a água a correr do tecto e o chuveiro a demorar-se a desligar, apercebi-me da história. A história que já vi na TV e em filmes: um dia de calor, alguém nu, um cano roto, água a voar por todos os lados, e a seguir quem aparece? Uma carpinteira sexy com uma chave de fendas.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Ali, espalhei o champô lentamente, como se tivesse a catar a cabeça, esperei, aguardei enquanto o tecto me pingava em cima, mas nada. Ninguém apareceu. Naquela solidão rota-erótica lembrei-me das vezes em que disse que sou diferente, e apercebi-me: se o que preciso é começar a dizer que sou normal, igual aos outros, para aparecer a carpinteira sexy com o cinto de ferramentas para consertar o cano roto enquanto aguardo nu e inocentemente indefeso, então admito: sou normal.&lt;/p&gt;</description>
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  <category>água</category>
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  <category>carpinteira</category>
  <category>nudez</category>
  <category>verão 2010</category>
  <category>chuveiro</category>
  <category>cano</category>
  <lj:music>One Republic - Good Life</lj:music>
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  <pubDate>Wed, 11 Aug 2010 19:01:33 GMT</pubDate>
  <title>Trailer: Never let me go</title>
  <author>Kai</author>
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  <description>&lt;p&gt;Tenho o Orgulho e Preconceito. O meu Expiação. Depois de ver este trailer, de verificar mais uma vez a presença da minha Keira, anseio, espero, peço para que este filme complete a minha trilogia. Alguma coisa provoca em mim, não fosse eu começar a chorar (!) quando chego à parte do trailer em que o homem começa a berrar. Será que também quero berrar? O que sei é que quero, mas quero ver este filme.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
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  <pubDate>Tue, 10 Aug 2010 18:44:09 GMT</pubDate>
  <title>&apos;As&apos; férias</title>
  <author>Kai</author>
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  <description>&lt;p&gt;Já todos nós ouvimos falar em exageros. “Hoje toda a gente tirou o dia para me chatear.” É um exagero dizer isso; provavelmente, foi só uma pessoa. O que vou dizer agora não é exagero: Deus sabe como eu queria umas férias, mas toda a gente, sabe-se lá por que obra e graça de quem, decidiu impingir-me que vai de férias. Ou é o amigo, a tiazinha, o fulano do trabalho, ou o desconhecido na passadeira.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;De há semanas para cá, toda a gente, toda, decidiu de forma directa ou indirecta anunciar que vai de férias. Ou é os Algarves, ou os montes, ou na quinzena, ou dia 20. Toda a gente, literalmente. Tinha de calhar este ano. A realidade é que não vou, por isso não me vai adiantar chorar pelos cantos. Vou ser paciente, vou aguardar e vou trabalhar para isso. Apenas a maçã cai da árvore, por isso eu tenho os meus sonhos, e vou esforçar-me por eles. Vou trabalhar, vou abdicar de jantares fora e outros gastos, vou juntar e lutar por isso, e um dia, vou encher o peito de orgulho, tapar as mãos calejadas, e vou a um sítio destes e ninguém vai precisar de saber. Literalmente.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;
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&lt;/p&gt;</description>
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  <pubDate>Tue, 03 Aug 2010 19:13:27 GMT</pubDate>
  <title>O princípio no fim</title>
  <author>Kai</author>
  <link>https://voltaparamim.blogs.sapo.pt/90688.html</link>
  <description>&lt;p&gt;A vida é feita de imprevisibilidades e, pelo meio, de certezas. Há um ano, contra as minhas próprias expectativas, vi-me incompleto, pelo que decidi quando a lâmpada se acendeu por cima da cabeça como nos filmes, tirar o curso que nunca pensei ser o tal ou sequer, o segundo. Percorrido um ano, com mais um curso feito num ápice, de forma não tão imprevisível, não há satisfação.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Vai chegar a próxima sexta e vou saber: a partir da próxima semana deixo o horário em fulltime, para trabalhar em regime de partime. Será um trabalho que eu tenho a certeza, num instante deixará de me satisfazer. Por isso, estando aqui sozinho por os amigos terem ido todos de férias e eu não as ter, assim como também noutros sentidos, sei que o próximo fim-de-semana será de deprimências. Assim, não esperando por demoras, aproveitei um Domingo de nevoeiro: peguei no meu irmão e fomos ver o Toy Story.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Tal como o &lt;em&gt;Andy&lt;/em&gt;, pelo percurso perdi brinquedos; outros foram para um caixote à espera de um novo fim. Talvez a doação seja o mais lógico. No entanto, o que me interessou, o que me pôs a questionar nesta fase foi, e o Andy?, agora que cresceu, vai para o curso que quer? O que lhe aconteceu nestes anos, quem se tornou ele? Queria compara-lo comigo.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Ontem aproveitei para ver o Inception. Agarrei-me à história para a tentar perceber, contive-me nas pipocas porque, por um lado tenho a cara toda esborrachada e, por outro, devo andar com a figadeira. Algo está mal. A chegar ao final, a história completa-se, as peças juntam-se, o enredo intensifica-se, a música arrepia e nesse momento, em que juntava as peças, a dois minutos do filme, vi dois vultos. Naquele momento foi uma certeza: vou-me rir.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;A sério? Uma história daquelas em que tanto me concentrei para me abstrair; mais de duas horas numa sala arejada, sem luz, à espera do desfecho final e surgem para o mal dos 4 euros e tal que gastei, a dois minutos do fim, duas almas com os seus baldes de pipocas para ver o filme! Encolhi-me e apertei-me todo. Apertei-me como nenhum homem se deve apertar em dias de calor. Eu, ali, com a minha camisola comprada na minha estação favorita – Os Saldos – a ver aqueles dois vultos no sítio errado à hora errada.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;A mim pareceram-me duas mulheres. Uma amiga minha disse que uma era um homem, porque viu um bigode. Acontece que eu vi duas figuras favorecidas, bastante, ainda que afectados pela gravidade, em termos de peito. É assim: eu já vi mulheres de bigode feito, mas um homem com um peito daqueles, nem eu num dos meus posts mais loucos.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;A mulher e a meia-mulher-meio-homem lá subiram as escadas com sacas a chocalhar. Sentaram-se atrás de mim, e uma disse “isto está húmido.” O quê não sei; eu não fui. Eu apertei-me bem, mas ainda me controlei. Nesse momento, o filme acaba. Nunca olhei para trás, levantei-me com o meu jeito de rapaz magro, as restantes pessoas fazem o mesmo, as luzes acendem-se e elas/ ela e ele nada. Nada.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Qual a parte de ver os créditos de um filme, o acender de luzes e o sair do público que não fez aquelas criaturas dizer: ó Diabo, algo aqui está mal? Ou das duas uma: tendo de seguida ido ver o horário, ou foram ver o Toy Story, o Shrek ou o Muito Rock, Meu, ou então aquela gente de peito &lt;em&gt;Pal Plus&lt;/em&gt;, queria fazer algo de… picante. O primeiro não acho muito mal, mas nem eu me dava à vergonha de me enganar na sala; o segundo, neste momento, já estou por tudo. Mas que gostava de ser mosca, gostava.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;De volta. Espero.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;</description>
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  <lj:music>ColdPlay - Sparks</lj:music>
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  <pubDate>Sun, 11 Jul 2010 15:28:37 GMT</pubDate>
  <title>Até já</title>
  <author>Kai</author>
  <link>https://voltaparamim.blogs.sapo.pt/90420.html</link>
  <description>&lt;p&gt;Kai João em exames, num trabalho a tempo inteiro temporário, a procurar pêlos em qualquer lado do corpo só para usar espuma de barbear, com um cabelo de meter dó à Nasa, sem ginásio o que traz como consequência um peito descaido-efeito-gravidade, sem ter posto os pés na praia este ano… Enfim, é um até já.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;</description>
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